segunda-feira, 5 de maio de 2025

No Dia M - o aniversário de Marx

O pequeno Carl (assim mesmo, Carl com "C") veio ao mundo na madrugada de uma terça-feira, 5 de maio de 1818. Nasceu na casa alugada pelo pai, que ficava na Brückenstraße (Rua da Ponte), na distante e provinciana cidadezinha de Trier, no extremo oeste da Prússia.
 
Era o terceiro filho de Heinrich Marx e de sua esposa, Henriette. Tinha dois irmãos Mauritz David e Sophie, aos quais se somariam, nos anos seguintes, Hermann, Henriette, Louise, Emilie, Caroline e Eduard. 
 
O pai era um advogado próspero, que provinha de família judaica, como a mãe. Ambos tiveram que se converter ao cristianismo. Carl seguiu a trilha, sendo batizado aos seis anos de idade.
 
De sua infância e juventude temos pouco conhecimento. Sabemos que era muito travesso e que era, ao mesmo tempo, amado e temido, e encantava as irmãs contando estórias.
 
Entre os amigos e parceiros de brincadeiras havia um certo Edgar e sua irmã mais velha, Jenny. Anos depois, Carl se apaixonaria pela menina. Noivaram em segredo e, finalmente, casaram-se em 1843. Mas isso já é assunto para outro texto.
 
 
Karl Marx em Bonn; desenho feito por Heinrich Rosbach em 1835/1836.

 
 
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PS. tudo isso eu aprendi lendo o primeiro volume da biografia escrita pelo Michael Heinrich (Karl Marx e o nascimento da sociedade moderna), o que é um bom pretexto para voltar a recomendar sua leitura.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Sem comentários (28)

 

O boneco de Marx é o mascote do Niners Chemnitz, time alemão de basquete da cidade de Chemnitz (Saxônia) que, entre 1953 e 1990, era conhecida como Karl Marx Stadt.


Mascote do Niners Chemnitz, time alemão de basquete da cidade de Chemnitz, na Saxônia.
Fonte: https://www.ballineurope.com/karl-marx-niners-chemnitz-fiba-europe-cup-8394/

quarta-feira, 19 de junho de 2024

A nova edição italiana do Livro I d'O Capital, da Einaudi

Acaba de ser lançada pela Einaudi a nova edição italiana do Livro I d'O Capital, editada por Roberto Fineschi , com traduções feitas por ele e por Stefano Breda, Gabriele Schimmenti e Giovanni Sgrò.

Trata-se da mais completa tradução da obra de Marx: é baseada na 4ª edição alemã de 1890, mas o texto traz todas as variantes das edições alemãs anteriores (1867, 1872/3, 1883) e da edição francesa (1872-75), além de uma nova tradução do assim chamado Capítulo VI (inédito) e, se não bastasse, também do manuscrito redigido por Marx em 1871/2 ao preparar a 2ª edição alemã (Ergänzungen und Veränderungen zum ersten Band des “Kapitals”).
 
Numa palavra, o volume traz todos os textos que Marx escreveu com a intenção de realizar o I livro de "O Capital".
 
Naturalmente, o trabalho apoiou-se na edição histórico-crítica das obras de Marx e Engels (a MEGA2) e, como as fotos deixam ver, o projeto gráfico é belíssimo, à altura da obra.
 
Meus sinceros parabéns ao Roberto e a todos que trabalharam para realizar esta edição, que será muito útil não apenas para os italianos, mas para todos os leitores de línguas latinas!
 

 

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Kevin Anderson no Cedeplar

O Professor Kevin Anderson apresentará um seminário no Cedeplar no dia 20/09 (quarta-feira, às 14 horas, no auditório 4 da FACE). O tema da apresentação será "Marx’s Late Writings: Concepts of revolutionary change and of alternatives to capitalism".

É a segunda vez que Anderson vem ao Cedeplar e uma excelente oportunidade para discutir os trabalhos teóricos de Marx nos últimos anos de sua vida.

O evento, que integra a série de seminário da Pós-graduação em Economia, é aberto a todos/as interessados/as. 



domingo, 13 de agosto de 2023

José Murilo de Carvalho e a UFMG

 

José Murilo de Carvalho partiu hoje. Era um dos grandes intelectuais brasileiros, um dos maiores pensadores do Brasil. 
 
Foi aluno da FACE na primeira metade dos anos 1960, quando a Faculdade ainda abrigava um curso de Sociologia e Política. Mais tarde, de 1969 a 1978, foi docente da UFMG e um dos responsáveis pela implantação da pós-graduação em Ciência Política na Universidade.
 
Foi, sobretudo, um amigo dedicado da Universidade, que reconheceu sua contribuição concedendo-lhe em 2001 a Medalha de Honra UFMG, premiação dedicada aos egressos que se destacaram por realizações em prol da sociedade.
 
José Murilo veio inúmeras vezes à FACE e ao Cedeplar para participar de seminários, conferências e outros eventos, ocasiões em que compartilhou conosco sua inteligência e fino humor com generosidade e desprendimento.
 
Numa destas ocasiões, em 2014, voltou a UFMG à convite dos professores Clélio Campolina Diniz, à época nosso Reitor, e João Antonio de Paula. Veio para apresentar uma reflexão sobre a trajetória do Brasil nos 50 anos posteriores a 1964. Sua fala foi publicada na revista Nova Economia e começa com lembranças de seus anos de estudante na FACE e na UFMG. Ao final, José Murilo conclui com um comentário sobre o papel da universidade na construção e consolidação de uma república democrática no Brasil. São estes os trechos que reproduzo nas imagens abaixo, como forma de celebrar sua memória entre nós.
 
José Murilo fará uma falta imensa.
 
PS. a íntegra do texto está disponível em acesso aberto.
 




 

segunda-feira, 5 de junho de 2023

Nos 300 anos do nascimento de Adam Smith

Há exatos 300 anos, em 5 de junho de 1723, um bebê foi batizado na Igreja de São Brício (St Brisse ou Bryce), na cidade portuária de Kirkcaldy, situada a 10 milhas de Edimburgo, no lado norte do estuário do rio Forth. 
 
Adam Smith (1723-1790)
Adam Smith (1723-1790)
Seu nome era Adam Smith.
 
Ninguém sabe dizer ao certo o dia em que ele nasceu. A julgar por seu aspecto frágil e enfermo e pelos costumes da época (a preocupação em evitar que as crianças falecessem sem receber o batismo e a salvação), é provável que ele tenha nascido no mesmo dia 5 de junho em que foi batizado. 
 
Seu pai, também chamado Adam, faleceu em janeiro de 1723, cinco meses antes do nascimento do menino, que foi criado por sua mãe, Margaret Douglas, com quem manteve um convívio longo e marcado por afeição e ternura.
 
Segundo Dugald Stewart, o primeiro biógrafo de Smith, o carinho e a atenção da mãe pelo menino fizeram com que Margaret Douglas fosse censurada por tratá-lo com "uma indulgência sem limites". E completa: "mas isso não teve efeitos desfavoráveis em seu temperamento ou disposição". De fato, "ele desfrutou da rara satisfação de poder retribuir à mãe seu afeto, com todas as atenções que a gratidão filial poderia ditar, durante o longo período de sessenta anos."
 
Margaret Douglas
Margaret Douglas
Numa carta escrita ao seu editor em 1784, logo após a morte de sua mãe, Smith afirmaria que "...embora a morte de uma pessoa com noventa anos de idade seja, sem dúvida, um evento bastante natural e, portanto, de se esperar e para o qual deve-se estar preparado, devo dizer-lhe, como já disse a outras pessoas, que não consigo deixar de sentir, mesmo nesta hora, que a separação final desta pessoa -- que certamente me amava mais do que qualquer outra jamais amou ou amará, e a quem eu certamente amava e respeitava mais do que jamais amarei ou respeitarei qualquer outra pessoa -- é um golpe muito pesado sobre mim."
 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Barsa, a enciclopédia

A Folha publicou recentemente uma beleza de matéria pra quem é daquela geração que pegou os tempos áureos das enciclopédias e, dentre elas, a Barsa. Trabalho escolar naquela época era sinônimo de "consultar a enciclopédia". Não sei que fim levou a coleção que havia lá em casa, mas a Mirador Internacional, editada pelo Houaiss, eu guardo até hoje (e olhe que me toma um espaço precioso!).

Algumas coisas parecem se repetir na memória das pessoas que viveram o fetiche da Barsa. Aquele nome estranho no último verbete do último volume (Zwingli), por exemplo. A beleza das capas vermelhas gravadas com letras douradas. O fato de que os livros costumavam ficar numa prateleira mais alta da estante, o que, lá em casa, rendeu alguns tombos mais ou menos graves na tentativa temerária de alcançar algum volume. A pretensão de ler todos os volumes -- li alguns -- assim, de enfiada, verbete por verbete. E, claro, o preço altíssimo da coleção, criando a prática do pagamento em prestações. Também pudera: eram muitos volumes, com encadernação luxuosa e papel de boa qualidade, sem falar no custo da produção do texto.

O artigo me fez lembrar ainda da figura do vendedor de bibliotecas, um sujeito bem apessoado e de boa conversa, que era recebido na sala de visitas das casa de classe média e carregava uma mala com exemplares de amostra dos pesados volumes, além de folders explicativos e cópias de contratos. Profissão extinta, até onde sei. Bem que cabia como personagem de O fim do sem fim, mas não lembro de ver a figura no filme.

O texto traz algumas informações que eu não tinha e que chegam a ser chocantes. Entregar o verbete de Brasília pro Niemeyer não me parece uma ideia sensata, muito menos a ideia de confiar o verbete sobre Ayrton Senna pra sua irmã escrever... insano. Também fiquei surpreso de saber que ainda são vendidos volumes impressos da Barsa, não mais de porta em porta, mas por meio do site BarsaShop, uma modernidade... A propósito, os 18 volumes estão sendo vendidos pela bagatela de R$2.695,00. É preço promocional, quase comprei, mas me contive a tempo... 

Por fim, fiquei curioso de ler a dissertação do Pedro Terres, citada no texto. E curioso, também, de saber o nome do autor da matéria, omitido sem dó pela Folha. Ah, a Folha... Outrora tão importante, hoje... mas isso já é outro assunto.




sábado, 11 de fevereiro de 2023

Sobre Arembepe, Canoa Quebrada e o capitalismo

 Guardadas as muitas e grandes diferenças -- seja do lugar, seja do período e seu contexto político --, Canoa Quebrada foi para a minha geração o que Arembepe tinha sido para a geração que nos antecedeu. Visitei Canoa Quebrada pela primeira vez em 1982 ou 83, quando não havia estrada, energia elétrica ou pousadas. Todo mundo ia pra lá em busca de uma experiência "alternativa", como se dizia então, ou pelo menos pra comprar um anel ou pingente de casco de tartaruga com o famoso desenho da lua e estrela.

A fama do lugar cresceu e, com ela, o 'progresso', despertando justificadas preocupações. Me lembro que, no velho 'Sistema de Bolsas' da FACE (o PET de hoje em dia), chegamos a sonhar com um projeto de pesquisa para estudar in loco e in tempore opportuno a chegada do capitalismo ao extremo sul do litoral cearense, um pretexto mais que apropriado pra justificar uma boa e longa temporada naquela que era uma aldeia isolada de pescadores. Havia sinais claros e preocupantes de monetização das relações locais de produção (gostaram?), como o crescimento do comércio de latões d'água trazidos no lombo dos jegues para viabilizar o banho diário dos turistas ou os valores cobrados em dinheiro, e não em sorrisos, pelo aluguel de ganchos nas casas dos locais, que nos davam o direito de pendurar nossas redes pra passar a noite.

O fato, infelizmente, é que o nosso projeto de pesquisa não foi em frente. Nem chegou a ser escrito porque, apesar de jovens e animados, nós já sabíamos que nem o CNPq, nem a Capes seriam capazes de perceber o que havia de meritório na nossa proposta, frustrando qualquer expectativa de financiamento, por menor que fosse.

Por isso mesmo, devo admitir minha surpresa quando abri o Valor deste final de semana e me deparei com uma matéria sobre Arembepe que, na verdade, é uma resenha de um livro que está sendo lançado e que conta estórias passadas naquela aldeia nos anos 1970. O livro é escrito por três publicitários e jornalistas e não tem qualquer pretensão acadêmica. Mas a matéria menciona a certa altura um estudante de antropologia da Universidade Columbia, de nome Conrad Kottak que, tendo passado 16 temporadas em Arembepe, escreveu um livro com um título que poderia muito bem ser o do nosso malfadado projeto de pesquisa: Assault on Paradise: the Globalization of a Little Community in Brazil.

Li e reli este parágrafo diversas vezes, sem acreditar no que estava dito. Tive que consultar o Google para aplacar a incredulidade e quase recorri ao ChatGPT pra acabar com qualquer dúvida. O fato é que Conrad Phillip Kottak não apenas existe, como é professor emérito da Universidade de Michigan e fez extensos trabalhos de campo etnográficos no Brasil e em Madagascar (este aí sabe viver). O livro -- adivinhem -- também existe: foi publicado originalmente em 2006 e está na quarta edição (atualizada, é claro), e está anunciado na Amazon por US$26.99 mais despesas de envio (ou por míseros R$775,00 na loja brasileira da mesma Amazon, se for de sua preferência).

Resta o consolo de saber que alguém fez o que sonhamos um dia fazer. E a constatação de que, pelo visto, as agências de fomento americanas eram mais sensíveis a este tipo de investigação do que eu podia imaginar naquele longínquo 1982. Bom pra eles.

(Nas fotos: Canoa Quebrada e Arembepe, em outros tempos).

 


 

 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Some historical anniversaries of authors and works related to economics that we'll celebrate in 2023

I made this short list of historical anniversaries of authors and works related to economics that we'll celebrate in 2023. No purpose intended, just for fun. Of course, it is far from complete. 

Adam Smith (1723-1790)Starting with the most important date: the 300th anniversary of Adam Smith's birth. 

Adam Ferguson (1723-1816)It's also 300 years since Adam Ferguson was born.

The 300 years of the birth of Paul Heinrich Dietrich von Holbach (Baron d'Holbach). 

The 300 years of the birth of Dr. Richard Price. 

 The 300 years of the birth of Pedro Rodríguez de Campomanes. 

The 300th anniversary of the death of Bishop William Fleetwood. 

The 300 years of the second edition of The Fable of the Bees: Or private vices, publick benefits, by Bernard Mandeville. 

The 300th anniversary of the edition of the Dictionnaire universel du commerce, by Jacques Savary de Bruslons. 

The 250 years of the birth of James Mill. 

250 years since the birth of Jean-Charles-Léonard Simonde de Sismondi. 

The 250 years since the edition of Table raisonnée des principes de l'économie politique, by Pierre Samuel DuPont de Nemours. 

David Ricardo (1772-1823)The 200 years of the death of David Ricardo. 

The 200th anniversary of the birth of John Elliot Cairnes. 

The 200 years since the birth of Reverend Thorold Rogers. 

The 200th anniversary of the birth of John Kells Ingram. 

The 200th anniversary of the publication of The Measure of Value, by Thomas R. Malthus. 

The 200th anniversary of the publication of Grundriss der Kameralwissenschaft oder Wirthschaftslehre für encyklopädische Vorlesungen, by Karl Heinrich Rau.

 The 200th anniversary of the publication of Thoughts and Details on the High and Low Prices of the Thirty Years from 1793 to 1822, by Thomas Tooke. 

John Stuart Mill (1806-1873)In the second half of the 19th century, the number of authors and books multiplied. I mention just a few anniversaries that seems to be the most important dates: 

The 150th anniversary of the death of John Stuart Mill. 

The 150 years since the publication of Lombard Street: A description of the money market, by Walter Bagehot. 

The 150 years since the creation of the Verein für Socialpolitik. 

Now, going back to the 17th century, there are other commemorative dates that deserve to be recorded, starting with the 400th anniversary of the birth of William Petty.

The 400th anniversary of the birth of Thomas Papillon and the 400th anniversary of the death of Leonardo Lessius. 

The 400th anniversary of the publication of Edward Misselden's The Circle of Commerce

The 400th anniversary of the publication of The Center of the Circle of Commerce, by Gerard de Malynes.

 And, finally, the 350th anniversary of the publication of De officio hominis et civil juxta legem naturalem, by Samuel Pufendorf.

 

sábado, 31 de dezembro de 2022

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Simon Clarke (1946-2022)

Simon Clarke faleceu na terça-feira (27/12).
 
Pouco conhecido no Brasil, mesmo entre os estudiosos da obra de Marx, foi menos lido ou citado do que devia. 
 
Alguns de seus livros são marcos importantes na literatura sobre as teorias do valor, das crises e do Estado, começando por Marx, marginalism and modern sociology (1982); Keynesianism, monetarism and the crisis of the state (1988); Marx's theory of crisis (1994); e o volume que organizou sobre The state debate (1991).
 
Foi também autor de vários estudos sobre relações de trabalho na Rússia, na China e no Vietnã.
 
Os originais (preprints) destes livros e do seu guia de leitura d'O Capital, bem como de vários artigos, podem ser encontrados na sua velha página pessoal no site na Universidade de Warwick.Também há algo no Libcom

RIP Simon Clarke (1946-2022).
 

sábado, 17 de dezembro de 2022

Um roteiro de livrarias em Belo Horizonte

 

Um comentário do Afonso Borges publicado no twitter e reproduzido na imagem ao lado me fez pensar no trajeto pelas livrarias de Belo Horizonte que eu fazia costumeiramente no final dos anos 1970 e começo dos anos 1980. Vamos ver se ainda me lembro...

Podia começar na Nossa Livraria da Tupis, em frente ao velho cinema, que era a mais próxima do ponto do meu ônibus. 
 
Dali à Vozes, na galeria entre Tupis e Espírito Santo. 
 
Depois na Itatiaia, na rua da Bahia.
 
Subindo a Rua da Bahia até o Maletta, visita obrigatória ao Zé Maria e suas pilhas de livros da Siglo XXI e da FCE. Um tesouro pra quem estudava ciências humanas.
 
Rápida passagem na Eldorado, antes de contornar o quarteirão e ir à Van Damme namorar os importados. Só mesmo pra namorar, porque na época havia o dólar-livro e eles eram caríssimos pro meu bolso de estudante. O poderoso ar-condicionado da loja era um alívio em dias de calor e chuva.
 
Dali, se o tempo permitisse, ainda podia fazer variações. Passar na Imprensa Oficial pra ver o Suplemento Literário, na Científica (na Espírito Santo, entre Augusto de Lima e Goitacazes), no Daniel Vaistman (mais abaixo na Espírito Santo), ou no Amadeu
 
Eu era feliz e sabia.
 
PS. Anos mais tarde, houve a Acaiaca, na São Paulo. Acho que nesta época meu roteiro já havia se mudado pras livrarias da Savassi, mas isso já é assunto pra outra postagem.
 

 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

O saudoso prédio da FACE-UFMG na Rua Curitiba

A imagem abaixo é uma uma perspectiva do belo e saudoso prédio na Rua Curitiba 832, esquina de Rua dos Tamoios, que foi sede da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG entre 1954 e 2007.
 
Agradeço ao Demilson Malta Vigiano por postar o desenho, que faz parte do acervo de plantas arquitetônicas sob a guarda do Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte, e à minha amiga, Tereza Bruzzi, que me chamou a atenção para o registro.
 
O projeto deve ser do final dos anos 1940 ou, mais provavelmente, do início da década de 1950, porque a Faculdade instalou-se ali em 1954, quando era diretor o Professor Yvon Leite de Magalhães Pinto. O prédio ainda estava em construção quando a Faculdade se mudou para lá: a fachada principal, na Rua Curitiba, estava concluída, mas a lateral, na Rua dos Tamoios, foi completada nos anos seguintes.
 
Segundo o registro, o autor do projeto foi o arquiteto Virgílio de Castro, que frequentou a primeira turma de estudantes da Escola de Arquitetura da UFMG e, mais tarde, se tornaria professor da mesma Escola.
 
O prédio foi a primeira sede própria da Faculdade de Ciências Econômicas (a FACE) e nele ficamos até o final de 2007, quando foi feita a mudança para o novo prédio do campus Pampulha.
 
 
Perspectiva do prédio que foi sede da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG

 

sábado, 19 de fevereiro de 2022

Nos 75 anos da revista Kriterion (1947-2022)

 

Num ano de tantas efemérides, é preciso lembrar que também estamos comemorando os 75 anos da revista Kriterion. Criada para ser a revista da Faculdade de Filosofia de Minas Gerais, ela é publicada atualmente sob a responsabilidade do Departamento de Filosofia da UFMG.

No editorial que abre o primeiro volume, o Professor Braz Pellegrino (1896-1969) -- então diretor da Faculdade, médico e professor de língua e literatura italiana, além de pai do escritor e psicanalista Hélio Pellegrino -- afirmava:
 
"Não é possível compreender-se uma Faculdade de Filosofia de cuja trama espiritual esteja ausente esta necessidade de criar, esta curiosidade intelectual que não se farta com o já feito mas procura incessantemente exercitar sua força em novos empreendimentos e novas pesquisas.
 
Desta busca renovada e renovadora se constitui, inclusive, o espírito universitário, infelizmente tão escasso entre nós, viciado que está por uma compreensão burocrática do conhecimento, como se uma universidade fosse apenas uma fábrica de técnicos e especialistas, e não de homens, humanizados pela ciência, pelo pensamento e pela beleza, capazes de desvendar horizontes novos e levar ao acervo cultural dos séculos a sua pequenina contribuição."
 
A revista, informava o editorial, pretendia assumir o papel de "porta-voz da cultura em terras de Minas", propondo-se a tarefa de arregimentar pessoas ligadas por "uma mesma espécie de interesse intelectual" e reunir contribuições nos campos das belas letras, da filosofia e da ciência, "em torno de um núcleo comum de trabalho".
 
O texto completava:
 
"A isto, a esta tarefa arregimentadora, nos propomos, com a melhor das intenções, dispostos a contribuir efetivamente para a marcha da cultura no Estado. Oxalá sejamos compreendidos".
 
É natural que a abrangência e o escopo da publicação tenham mudado ao longo destes três quartos de século. Com o passar do tempo, a publicação redefiniu-se como uma revista de filosofia e conquistou público e autores nacionais e internacionais. Não resta dúvida, porém, de que os objetivos propostos em 1947 foram alcançados. As inquietações e a compreensão do espírito universitário que animaram sua criação continuam atuais. Por esta razão, não é difícil para nós compreender as motivações dos seus iniciadores, convocados que estamos a combater o mesmo vício da "compreensão burocrática do conhecimento", ainda que sob novas formas.
 
Por tudo isso, fica o registro do meu singelo agradecimento a todos -- editores, autores, revisores, secretários e trabalhadores associados à produção gráfica da revista -- que cooperaram para mantê-la viva. Quem já se meteu neste tipo de empreendimento sabe ou pode imaginar toda sorte de dificuldades e obstáculos que tiveram que ser vencidos, e com certeza não foram poucos. 
 
Parabéns, Kriterion!
 
 

 

sábado, 5 de fevereiro de 2022

Simone Pessoa, a livreira

 

Faz tempo desde a última vez que estive com a Simone. A pandemia e o isolamento dos dois últimos anos contribuíram para isso. Mas, mesmo antes, já não era com tanta frequência que nos encontrávamos na Ouvidor. Provavelmente, porque a mudança da FACE pro campus, em 2008, e o fim das cervejadas de sábado no bar do Jaime fizeram com que eu fosse bem menos frequente na Savassi. 
 
Ainda assim, é quase inconcebível pensar que ela não vai mais estar lá. Porque a Simone é tudo isso que está na matéria do jornal e é muito mais. Somos da mesma geração, temos referências em comum e sempre foi reconfortante chegar na Travessa ou na Ouvidor e ser atendido por ela com um sorriso e uma sugestão e, sobretudo, com a disposição de ouvir.
 
Custo a crer. Espero encontrá-la por aí. De qualquer modo, queria deixar registrado meu muito obrigado por ser quem é e pelo que fez por nós em todo este tempo. Seja feliz, Simone.
 
 
Simone Pessoa (foto de Túlio Santos)

 

terça-feira, 14 de setembro de 2021

No dia do lançamento da primeira edição d'O Capital

 

Há 154 anos, a revista Börsenblatt für den deutschen Buchhandel registrava a publicação da primeira edição do primeiro volume d'O Capital, de Marx (a nota 7571 na imagem abaixo; clique nela para ampliar). 
 
Por esta razão, é no dia 14 de setembro que comemoramos a publicação do livro. Pouco antes, desde a quarta-feira, 11 de setembro de 1867, os primeiros exemplares começaram a ser distribuídos pela casa editorial Otto Meissner, de Hamburg.
 
As mil cópias desta edição, com 796 páginas, foram impressas pela empresa Otto Wigands Buchdruckere, em Leipzig, naquela época centro da indústria gráfica alemã.
 
Curiosamente, a mesma página da revista trouxe o registro da publicação, em Stuttgart, de uma tradução alemã da Origem das Espécies, de Darwin (a nota 7576). Dois livros que mudariam radicalmente o modo como pensamos o mundo e nós mesmos.
 
 

 

terça-feira, 31 de agosto de 2021

Para ler a Riqueza das Nações de Adam Smith, com Maria Pia Paganelli


A Riqueza das Nações é daqueles livros que todo mundo comenta, mas pouca gente leu de verdade. A partir de agora, há uma boa razão pra isso deixar de ser assim. É que acaba de ser lançado o guia para leitura da Riqueza das Nações preparado pela minha amiga querida, Maria Pia Paganelli!
 
Intérprete aguda e original de Smith, Maria Pia é professora da Trinity University e presidente da International Adam Smith Society
 
Seu guia apresenta, capítulo a capítulo, os principais conceitos que estruturam o livro de Adam Smith, situando suas ideias em seu contexto original e apontando aquilo que em sua obra fala ao nosso tempo.
 
Parte do livro foi elaborada durante sua estadia como professora visitante na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 2016, quando lecionou um curso sobre a Riqueza das Nações para alunos do Programa de Pós-graduação em Economia do CEDEPLAR-FACE-UFMG, o que é uma razão adicional para eu ter ficado muito contente de ver o texto publicado.
 
Aviso: o fato dela ter incluído meu nome nos agradecimentos é pura generosidade de amiga. A verdade é que, independentemente da nossa amizade, eu só posso recomendar enfaticamente a leitura do guia pra quem quiser estudar e conhecer em detalhe a obra de Smith. O meu exemplar, claro, já está encomendado.
 
A propósito, quem quiser conhecer mais sobre a leitura de Smith proposta pela Maria Pia, sugiro este artigo escrito no mesmo período de sua visita e apresentado numa mesa do Seminário de Diamantina de 2016. Publicado na revista Nova Economia do ano seguinte, está em acesso aberto e é uma boa discussão do "por que ler Smith depois de tanto tempo?".

Este outro artigo, publicado no número mais recente da mesma revista e tambem em acesos aberto, trata do tema de sua apresentação num outro Seminário de Diamantina, o de 2014, assunto que frequentou nossas conversas por algum tempo.
 
Parabéns, Maria! E boa leitura pra todos!
 
 

 

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

O capitalismo no Brasil

 

Vocês devem se recordar o recente apagão do servidor do CNPq, que tirou do ar os currículos Lattes de todo mundo. Reza a lenda, e as más línguas confirmam, que ele foi causado pelo meu colega João Antonio de Paula. Tudo teria acontecido quando o João tentou atualizar seu currículo, lançando de uma só vez sua produção acadêmica no período da pandemia, o que terminou travando o sistema.

Não, claro que não é verdade. Quem conhece o João sabe que ele não pilota computadores, nem dá bola pro seu Lattes. Mas, se non è vero, è ben trovato. De fato, o João Antonio andou aproveitando os longos meses de isolamento para tirar da gaveta, rever e publicar vários trabalhos, não só artigos, mas também livros. 
 
O mais recente destes livros eu acabei de descobrir. Digo que descobri, literalmente, porque mesmo sendo colega e amigo do João ando tendo dificuldades de acompanhar as suas publicações. Trata-se deste O Capitalismo no Brasil, que a editora apresenta como "uma visão de conjunto da economia brasileira e de suas origens coloniais até a contemporaneidade". 
 
Conheci uma versão anterior e manuscrita deste texto, que é uma tentativa de dar conta da natureza específica do capitalismo no Brasil, de pensar a formação econômica brasileira, mas sem privilegiar o ponto de vista da sucessão, êxitos e fracassos de políticas econômicas, como teimam em fazer tantos economistas. Ao contrário, adota o ângulo de análise das condições estruturais que definem nosso capitalismo, suas contradições e possibilidades. 
 
Agora, publicado em livro, o ensaio pode e deve ser lido por quem queira pensar sobre o tema, que é incontornável. O volume pode ser encontrado no site da editora e, é claro, nas "boas casas do ramo". 
 
Como notícias boas também costumam andar juntas, vou aproveitar esta postagem para divulgar mais uma novidade. O podcast ipsis litteris, editado pelo meu outro colega, Alexandre Mendes Cunha, divulgou recentemente o seu segundo episódio: desta vez, é uma entrevista com o João Antonio. O tema da conversa é bem diverso do assunto tratado no livro mas, nem por isso, menos interessante: são as consonâncias entre as obras de Rousseau e Marx, assunto de um artigo que o João publicou na Revista da SEP há alguns anos.  
 
Divirtam-se!
 

 

terça-feira, 27 de julho de 2021

José Arthur Giannotti (1930-2021)

 

Estive com Giannotti uma só vez. Foi no final de 1988, se a memória não me trai. Recebeu-me em seu gabinete no Cebrap, a pedido de Francisco Iglésias, depois que lhe enviei um projeto que fiz pensando em me candidatar ao doutorado na USP sob sua orientação. Conversamos bastante.
 
Ele não se entusiasmou com o projeto. Não acho que fosse ruim, mas ele tinha lá suas razões. Propôs, em contrapartida, que eu ingressasse no programa de quadros do Cebrap, criado poucos anos antes. Sugeriu que eu me dedicasse a ler Platão e me abstivesse de Marx por um tempo.
 
Ponderei a proposta e, por razões que tinham mais relação com circunstâncias pessoais, acabei decidindo seguir outro rumo. De todo modo, Trabalho e Reflexão seguiu sendo um texto importante para mim por muito tempo. Os livros posteriores, ao contrário, nunca foram.
 
Sua morte (e, antes dele, a do Ruy Fausto) encerra um certo ciclo da recepção de Marx no Brasil, especialmente entre os filósofos, mas não só. Balanços ficam para outra hora, que aqui se trata só de evocar e registrar uma breve memória pessoal, ainda sob o efeito da notícia. 
 
RIP.
 

 

domingo, 11 de julho de 2021

Podcast: uma conversa sobre Adam Smith e o iluminismo escocês

 

Há alguns dias comentei em redes sociais a respeito de um artigo sobre o contexto social e intelectual em que Adam Smith desenvolveu suas ideias, o Iluminismo escocês. O artigo estava completando 15 anos de publicação e, eu dizia, penso que "envelheceu bem". 
 
Nesta semana, meu colega e amigo, Alexandre Mendes Cunha, me convidou para gravar o primeiro episódio de seu novo podcast, ipsis litteris, e a conversa girou justamente em torno daquele texto, das razões que me levaram a escrevê-lo e do porquê penso que continua tendo algum interesse.
 
A proposta do podcast é esta, a de apresentar as questões e motivações que deram origem a alguns dos textos que estão na bibliografia da disciplina História do Pensamento Econômico, disciplina que lecionei na graduação por muitos anos e que, mais recentemente, tem sido lecionada pelo Alexandre. Por esta razão, ele está voltado principalmente para os alunos de Economia da UFMG, mas acredito que os temas tratados ali serão de interesse para um público mais amplo. 
 
A propósito, é uma feliz coincidência que o podcast tenha sido lançado justamente na semana em que a UFMG anunciou sua nova política de divulgação científica
 
A nossa conversa está disponível no site do podcast. Pra quem se interessar em ler o texto, ele pode ser encontrado no RePEc:
 
Mais uma vez, agradeço ao Alexandre pelo convite e desejo vida longa ao ipsis litteris.