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sábado, 17 de dezembro de 2022

Um roteiro de livrarias em Belo Horizonte

 

Um comentário do Afonso Borges publicado no twitter e reproduzido na imagem ao lado me fez pensar no trajeto pelas livrarias de Belo Horizonte que eu fazia costumeiramente no final dos anos 1970 e começo dos anos 1980. Vamos ver se ainda me lembro...

Podia começar na Nossa Livraria da Tupis, em frente ao velho cinema, que era a mais próxima do ponto do meu ônibus. 
 
Dali à Vozes, na galeria entre Tupis e Espírito Santo. 
 
Depois na Itatiaia, na rua da Bahia.
 
Subindo a Rua da Bahia até o Maletta, visita obrigatória ao Zé Maria e suas pilhas de livros da Siglo XXI e da FCE. Um tesouro pra quem estudava ciências humanas.
 
Rápida passagem na Eldorado, antes de contornar o quarteirão e ir à Van Damme namorar os importados. Só mesmo pra namorar, porque na época havia o dólar-livro e eles eram caríssimos pro meu bolso de estudante. O poderoso ar-condicionado da loja era um alívio em dias de calor e chuva.
 
Dali, se o tempo permitisse, ainda podia fazer variações. Passar na Imprensa Oficial pra ver o Suplemento Literário, na Científica (na Espírito Santo, entre Augusto de Lima e Goitacazes), no Daniel Vaistman (mais abaixo na Espírito Santo), ou no Amadeu. 
 
Eu era feliz e sabia.
 
PS. Anos mais tarde, houve a Acaiaca, na São Paulo. Acho que nesta época meu roteiro já havia se mudado pras livrarias da Savassi, mas isso já é assunto pra outra postagem.
 

 

sábado, 5 de fevereiro de 2022

Simone Pessoa, a livreira

 

Faz tempo desde a última vez que estive com a Simone. A pandemia e o isolamento dos dois últimos anos contribuíram para isso. Mas, mesmo antes, já não era com tanta frequência que nos encontrávamos na Ouvidor. Provavelmente, porque a mudança da FACE pro campus, em 2008, e o fim das cervejadas de sábado no bar do Jaime fizeram com que eu fosse bem menos frequente na Savassi. 
 
Ainda assim, é quase inconcebível pensar que ela não vai mais estar lá. Porque a Simone é tudo isso que está na matéria do jornal e é muito mais. Somos da mesma geração, temos referências em comum e sempre foi reconfortante chegar na Travessa ou na Ouvidor e ser atendido por ela com um sorriso e uma sugestão e, sobretudo, com a disposição de ouvir.
 
Custo a crer. Espero encontrá-la por aí. De qualquer modo, queria deixar registrado meu muito obrigado por ser quem é e pelo que fez por nós em todo este tempo. Seja feliz, Simone.
 
 
Simone Pessoa (foto de Túlio Santos)

 

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Livreiros e seus clientes

Volta e meia me acontece: estou ali zapeando as estantes da livraria pela enésima vez quando "adentra o gramado" um cidadão ou cidadã que, dirigindo-se ao vendedor, pede aquele livro de capa amarela ou vermelha, com "um título assim, humm... como é mesmo?...".

Como não sou do tipo que deixa uma coisa destas passar em branco, paro tudo que estou fazendo e me volto para a cena, pronto pra admirar a paciência do livreiro que ainda arrisca uma pergunta: "você sabe o autor?". Geralmente a resposta não passa de um sorriso meio amarelado, seguido de uma descrição enfática da cor da capa -- "tenho certeza de que é azul!" -- e da expectativa de que o coitado do vendedor ponha a cabeça pra funcionar e apresente logo o volume desejado.

Nunca vi um livreiro dar as costas e desistir do caso. São gentis ao limite, mesmo quando não há qualquer outra pista além da cor. Vez por outra, eles sabem que estou me divertindo com aquilo tudo e, enquanto respondem solícitos ao cliente, ficam me olhando de volta como se dissessem "já não me basta o mico, você ainda tem que ficar aí me gozando?".

Não é fácil trabalhar em livraria, mas alguém tem que se divertir com o que acontece, né não?
(Obrigado, Renata, pela foto).