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sábado, 17 de dezembro de 2022

Um roteiro de livrarias em Belo Horizonte

 

Um comentário do Afonso Borges publicado no twitter e reproduzido na imagem ao lado me fez pensar no trajeto pelas livrarias de Belo Horizonte que eu fazia costumeiramente no final dos anos 1970 e começo dos anos 1980. Vamos ver se ainda me lembro...

Podia começar na Nossa Livraria da Tupis, em frente ao velho cinema, que era a mais próxima do ponto do meu ônibus. 
 
Dali à Vozes, na galeria entre Tupis e Espírito Santo. 
 
Depois na Itatiaia, na rua da Bahia.
 
Subindo a Rua da Bahia até o Maletta, visita obrigatória ao Zé Maria e suas pilhas de livros da Siglo XXI e da FCE. Um tesouro pra quem estudava ciências humanas.
 
Rápida passagem na Eldorado, antes de contornar o quarteirão e ir à Van Damme namorar os importados. Só mesmo pra namorar, porque na época havia o dólar-livro e eles eram caríssimos pro meu bolso de estudante. O poderoso ar-condicionado da loja era um alívio em dias de calor e chuva.
 
Dali, se o tempo permitisse, ainda podia fazer variações. Passar na Imprensa Oficial pra ver o Suplemento Literário, na Científica (na Espírito Santo, entre Augusto de Lima e Goitacazes), no Daniel Vaistman (mais abaixo na Espírito Santo), ou no Amadeu
 
Eu era feliz e sabia.
 
PS. Anos mais tarde, houve a Acaiaca, na São Paulo. Acho que nesta época meu roteiro já havia se mudado pras livrarias da Savassi, mas isso já é assunto pra outra postagem.
 

 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

O saudoso prédio da FACE-UFMG na Rua Curitiba

A imagem abaixo é uma uma perspectiva do belo e saudoso prédio na Rua Curitiba 832, esquina de Rua dos Tamoios, que foi sede da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG entre 1954 e 2007.
 
Agradeço ao Demilson Malta Vigiano por postar o desenho, que faz parte do acervo de plantas arquitetônicas sob a guarda do Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte, e à minha amiga, Tereza Bruzzi, que me chamou a atenção para o registro.
 
O projeto deve ser do final dos anos 1940 ou, mais provavelmente, do início da década de 1950, porque a Faculdade instalou-se ali em 1954, quando era diretor o Professor Yvon Leite de Magalhães Pinto. O prédio ainda estava em construção quando a Faculdade se mudou para lá: a fachada principal, na Rua Curitiba, estava concluída, mas a lateral, na Rua dos Tamoios, foi completada nos anos seguintes.
 
Segundo o registro, o autor do projeto foi o arquiteto Virgílio de Castro, que frequentou a primeira turma de estudantes da Escola de Arquitetura da UFMG e, mais tarde, se tornaria professor da mesma Escola.
 
O prédio foi a primeira sede própria da Faculdade de Ciências Econômicas (a FACE) e nele ficamos até o final de 2007, quando foi feita a mudança para o novo prédio do campus Pampulha.
 
 
Perspectiva do prédio que foi sede da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG

 

sábado, 5 de fevereiro de 2022

Simone Pessoa, a livreira

 

Faz tempo desde a última vez que estive com a Simone. A pandemia e o isolamento dos dois últimos anos contribuíram para isso. Mas, mesmo antes, já não era com tanta frequência que nos encontrávamos na Ouvidor. Provavelmente, porque a mudança da FACE pro campus, em 2008, e o fim das cervejadas de sábado no bar do Jaime fizeram com que eu fosse bem menos frequente na Savassi. 
 
Ainda assim, é quase inconcebível pensar que ela não vai mais estar lá. Porque a Simone é tudo isso que está na matéria do jornal e é muito mais. Somos da mesma geração, temos referências em comum e sempre foi reconfortante chegar na Travessa ou na Ouvidor e ser atendido por ela com um sorriso e uma sugestão e, sobretudo, com a disposição de ouvir.
 
Custo a crer. Espero encontrá-la por aí. De qualquer modo, queria deixar registrado meu muito obrigado por ser quem é e pelo que fez por nós em todo este tempo. Seja feliz, Simone.
 
 
Simone Pessoa (foto de Túlio Santos)

 

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Ciro Flávio Bandeira de Mello

Foi só ontem que, por meio da minha amiga Tereza Bruzzi de Carvalho, fiquei sabendo desta homenagem muito linda dos colegas do Depto. de História da UFMG ao saudoso Ciro Flávio Bandeira de Mello, o fundador e, por muito tempo, a alma da revista Varia Historia.


 

Ciro foi professor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, a Fafich, por muitos anos e uma figura humana inesquecível por sua sabedoria e erudição, sua simplicidade e simpatia. As longas horas de conversa no bar do Jaime, convenientemente instalado ao lado das livrarias Ouvidor e Quixote, vão ficar pra sempre comigo. 

Como ficará a memória de sua luta para viabilizar a Varia Historia, onde tive o prazer de publicar um artigo em 1997, em parceria com o Rodrigo Simões, sobre Belo Horizonte (um tema caro a nós todos). O artigo foi publicado num número especial sobre os 100 de fundação da capital. Editado pelo Ciro e pelo João Antonio, este número está com acesso aberto no site da revista e tem muitas preciosidades.

 

Ciro Flávio Bandeira de Mello

 

domingo, 23 de dezembro de 2018

Pipiripau

Ontem foi dia de visita ao Pipiripau, a primeira pros meus filhos.

Raimundo Machado, o criador do presépio, começou a construí-lo quando tinha 12 anos, em 1906. De início era apenas um Menino Jesus numa manjedoura de papelão, forrada de cabelo de milho e musgo. Aos poucos, juntando materiais diversos recolhidos aqui e acolá e devidamente reciclados, construiu as 650 figuras de papel marchê, a maior parte delas animada, reunidas em 45 cenas que retratam a vida de Cristo em um cenário que tem muito de BH e das cidades coloniais mineiras.

A primeira peça com movimento data de 1912, a primeira cena iluminada veio em 1925 e, finalmente, em 1927, o presépio ganhou um motor elétrico. No mesmo ano, Drummond dedicou-lhe um poema. A primeira vez que visitei eu era bem menino e ele ainda ficava na casa de Raimundo, aonde fui com meus pais.

Em 1983, ele foi transferido para o Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG. Entre 2012 e 2017, passou por uma restauração minuciosa e delicada, trabalho executado por uma equipe da Universidade Federal de Minas Gerais com o apoio da Unimed-BH.

Raimundo Machado faleceu há 30 anos, em 27 de agosto de 1988, mas seu presépio está lá e impressiona a meninada que o visita, com seus movimentos, luzes e o som ruidoso do trovão ao final da exibição.

Um viva, então, pra Raimundo Machado!