Curiosidades sobre tudo que me interessa: de filosofia a romances policiais, de economia a imagens que dispensam qualquer comentário.
sábado, 19 de fevereiro de 2022
Nos 75 anos da revista Kriterion (1947-2022)
terça-feira, 14 de setembro de 2021
No dia do lançamento da primeira edição d'O Capital
sábado, 24 de abril de 2021
30 anos de Nova Economia
Há um novo número da revista Nova Economia na praça: é um número especial sobre armadilhas de renda média (middle income traps) com colaborações de autores da África do Sul, Austrália, Coréia do Sul e Índia, além de colegas do Brasil. São artigos derivados de apresentações feitas no seminário sobre Development, lock-ins, traps and catch up: India, China, South Africa, South Korea and Latin America, realizado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em julho de 2019.
Com este número completa-se o volume 30 da revista e, com ele, os primeiros 30 anos de sua existência. Nova Economia foi lançada em 1990, quando João Antonio de Paula, o principal responsável por sua criação, era chefe do Departamento de Ciências Econômicas da UFMG. Tinha a intenção de ser uma revista plural e interdisciplinar, que acolhesse temas e abordagens diversificados que, indo além dos limites da teoria econômica, auxiliassem a compreensão dos fenômenos econômicos. Compromissos que a revista procurou preservar ao longo de sua existência, apesar da frequente intolerância e exclusivismo teóricos e de intensa especialização que marcaram estas décadas.
Fui secretário editorial da revista entre 2000 e 2006, e seu editor entre 2006 e 2009, e continuo participando de seu comitê editorial. Sinto uma incontida satisfação de ter tomado parte em sua reformulação gráfica e sua modernização editorial. Foi um período de vencer desafios: buscar a internacionalização -- autores, pareceristas e leitores ligados a instituições de outros países --, o aumento da periodicidade, o início da publicação em meio eletrônico, a inclusão da revista em diferentes indexadores e bases bibliográficas, e muito mais.
Só quem viveu experiência semelhante sabe o trabalho e dedicação exigidos para levar a frente um projeto editorial como este, fora do eixo Rio-São Paulo e em condições muitas vezes adversa. Isso só reforça a minha gratidão por aqueles que apoiaram e participaram do trabalho desde a criação da revista: colegas da universidade, autores, pareceristas, revisores, editores e secretários editoriais, diagramadores, indexadores, gráficos, programadores visuais, artistas convidados, patrocinadores e tantos outros. Sim, tenho muitas razões para estar contente de ter participado desta história e para seguir participando.
Fico mais contente ainda de ver a revista prosseguir sua trajetória bem sucedida nas boas mãos do Gustavo Rocha e dos que tomam parte da equipe editorial -- atualmente, o João Prates Romero e o Alexandre Stein --, sem falar na colaboração da Tereza Carvalho a frente da curadoria de arte. Não vou dizer que é a melhor revista de economia do país porque sou mineiro e, sendo assim, é melhor afetar modéstia. Além de tudo, tendo participado intensamente deste projeto, sou suspeito pra afirmar qualquer coisa. Mas, convenhamos, ela é. Uma coisa faço questão de dizer: como é linda! Nem parece revista de economista.
Vida longa para a Nova Economia!
segunda-feira, 5 de abril de 2021
Ciro Flávio Bandeira de Mello
Foi só ontem que, por meio da minha amiga Tereza Bruzzi de Carvalho, fiquei sabendo desta homenagem muito linda dos colegas do Depto. de História da UFMG ao saudoso Ciro Flávio Bandeira de Mello, o fundador e, por muito tempo, a alma da revista Varia Historia.
Ciro foi professor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, a Fafich, por muitos anos e uma figura humana inesquecível por sua sabedoria e erudição, sua simplicidade e simpatia. As longas horas de conversa no bar do Jaime, convenientemente instalado ao lado das livrarias Ouvidor e Quixote, vão ficar pra sempre comigo.
Como ficará a memória de sua luta para viabilizar a Varia Historia, onde tive o prazer de publicar um artigo em 1997, em parceria com o Rodrigo Simões, sobre Belo Horizonte (um tema caro a nós todos). O artigo foi publicado num número especial sobre os 100 de fundação da capital. Editado pelo Ciro e pelo João Antonio, este número está com acesso aberto no site da revista e tem muitas preciosidades.
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| Ciro Flávio Bandeira de Mello |
sábado, 17 de novembro de 2018
20 anos de RePEc
Em larga medida, esta peculiaridade decorre dos imensos prazos de avaliação dos textos submetidos aos periódicos da área, que estimularam a busca por formas mais ágeis de divulgação dos resultados. Outras áreas também sofrem com o mesmo problema e acabaram adotando soluções próprias, mas em nenhuma que eu conheça o uso do formato working papers é tão antigo e disseminado, a ponto de praticamente cada departamento de economia dispor de uma série própria de "textos para discussão". Pra se ter uma ideia, a série do Cedeplar-UFMG, onde eu trabalho, começou em 1974, apenas seis anos depois da fundação do nosso programa de pós-graduação.
Com o tempo, o crescimento do número de séries e textos criou um novo problema: como assegurar uma divulgação ágil e abrangente dos textos publicados em cada série? De início, as bibliotecas universitárias tinham que demandar às diferentes instituições o envio de exemplares impressos de cada working paper lançado, o que foi se tornando algo difícil de administrar. Há 20 anos, um pequeno grupo de economistas buscou uma solução que fosse mais simples e eficiente para a disseminação da pesquisa em economia. Deste movimento surgiu o RePEc, que mudou por completo a situação.
O RePEc consiste num sistema de compartilhamento de metadados de publicações em economia (working papers, mas também artigos, livros e até softwares). Construído de forma inteiramente descentralizada, com custos de gestão e manutenção baixíssimos, a base é alimentada por uma legião de voluntários espalhados por cerca de 2.000 instituições do mundo todo. É um exemplo formidável de divisão do trabalho e cooperação, com resultados admiráveis.
Atualmente, o serviço indexa 2,3 milhões de itens de 8 mil séries diferentes, sendo 3 mil periódicos e 4,5 mil séries de working papers, boa parte dos quais tem acesso aberto. É uma ferramenta de pesquisa bibliográfica indispensável para quem trabalha na área de economia. Basta pensar que, somente no mês passado (outubro de 2018), foram realizados por meio dos diferentes serviços que empregam a base do RePEc um total de 496.854 downloads de textos e 1.885.141 consultas de resumos (abstracts).
Por menor que tenha sido minha contribuição para a construção do RePEc, tenho uma satisfação imensa de ter participado disso. Administrei por alguns anos os metadados e arquivos das séries de textos para discussão, livros e anais de seminários do Cedeplar. Colaborei também com dados de artigos da revista Nova Economia, e séries de textos da ABPHE e da ANPEC. Hoje, o trabalho nestas séries está a cargo de outros colegas que colaboram para manter as bases do RePEc ao lado de centenas de voluntários de 99 países.
Até hoje mantenho um perfil pessoal no RePEc onde é possível acessar a maior parte dos meus trabalhos acadêmicos e acompanhar as estatísticas atualizadas de acesso a estes textos.
Quem quiser conhecer mais sobre o RePEc pode começar por este artigo em comemoração aos seus 20 anos, ou simplesmente acessar um dos serviços disponíveis e começar a fazer suas buscas. Resultados é que não vão faltar.
sexta-feira, 16 de novembro de 2018
Estudos Hum(e)anos em nova fase
Agora, a revista entra em nova fase editorial. Hugo Arruda e Vinícius França Freitas são os novos editores. O Conselho Científico conta, além dos professores Renato Lessa e César Kiraly, com a participação da minha amiga e colega, Profa. Lívia Guimarães, coordenadora do Grupo Hume (UFMG), e do Prof. Danilo Marcondes de Souza Filho (PUC-Rio). Tenho a satisfação de participar do novo Conselho Editorial.
Os artigos deste número são trabalhos apresentados no VI Encontro Hume, realizado em 2017, na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, ocasião em que se decidiu retomar a edição da revista. Os artigos estão todos com acesso aberto. Boa leitura!
terça-feira, 22 de maio de 2018
Normas da ABNT para artigos acadêmicos
"Se você é docente, não imponha as normas da ABNT para os textos de seus alunos. Verifique se sua instituição define padrões próprios que não dependam da ABNT, ou procure por formatos definidos por outras instituições que atendam suas necessidades."
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018
Top 5
Refiro-me àqueles artigos em que estes economistas demonstram uma fina ironia em relação às práticas dominantes na profissão. Textos como "Life among the Econ", do Leijonhufvud ou "The Theory of Interstellar Trade", do Krugman, pra citar apenas dois exemplos que certamente estão entre os melhores do gênero.
Há um texto novo na praça que vai na mesma linha e propõe a definição de uma nova moléstia. Com o título de "Top5itis", foi escrito por Roberto Serrano, um professor de microeconomia da Brown University, e pode ser baixado no site da SSRN.
Não chega a ser tão hilário quanto os outros dois que mencionei acima, mas mesmo assim a leitura do texto provocou algumas boas risadas, seguidas da constatação desolada de que, em meio às epidemias de zika e febre amarela, há um bom número de vítimas locais desta nova enfermidade que também merecem a atenção dos nossos órgãos de saúde pública.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Revista da UFMG: Cidades
A importância dessa temática é evidente. Como diz o editorial desse número,
Seguindo a proposta editorial da revista, o tema é abordado por diferentes ângulos, da economia política às artes, da arquitetura à filosofia, do direito à literatura. A íntegra desse número pode ser obtida em meio eletrônico na página web da revista: https://www.ufmg.br/revistaufmg/"A cidade é, por princípio, simultaneamente objeto e lugar da política e da ação
coletiva, espaço do aprendizado e do reconhecimento da alteridade, valor de uso que
dá sentido à noção de urbanidade. Entretanto, tal visão é permanentemente contestada
pela hegemonia do valor de troca manifesta na luta pelo espaço, que contrapõe
o direito à cidade às tendências privatizantes do chamado empreendedorismo urbano,
ao consumo do espaço ou ao caráter excludente da dinâmica imobiliária e da
produção do espaço de forma mais ampla. Por outro lado, as recentes manifestações
políticas que tomaram as ruas das principais cidades do país nas últimas semanas,
entre outros aspectos, contribuíram para resgatar o potencial político do espaço público,
fundamental para a existência das cidades e da vida urbana."
Para a próxima edição está previsto um dossiê sobre a Água (a chamada de trabalhos ainda está aberta até 31/10/13).
Criada em 1929, a Revista da Universidade Federal de Minas Gerais circulou até 1943, sendo retomada posteriormente em dois momentos: de 1950 a 1955 e de 1962 a 1969.
Em 2012, a revista foi relançada por iniciativa da reitoria da UFMG e, em particular, do Prof. João Antonio de Paula, pró-reitor de Planejamento, que assinou naquele número um artigo sobre a história desse periódico.
domingo, 6 de outubro de 2013
Mais um capítulo do faroeste acadêmico
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É importante notar que, entre as revistas que foram alvo do teste e caíram na trapaça, muitas eram ligadas a grandes editoras acadêmicas, como a Elsevier, a Wolters Kluwer e a Sage, empresas multinacionais sediadas na Europa e nos EUA.Como o próprio Bohannon afirma:
"Acceptance was the norm, not the exception. The paper was accepted by journals hosted by industry titans Sage and Elsevier. The paper was accepted by journals published by prestigious academic institutions such as Kobe University in Japan. It was accepted by scholarly society journals. It was even accepted by journals for which the paper's topic was utterly inappropriate, such as the Journal of Experimental & Clinical Assisted Reproduction."Entre as revistas que caíram no engodo há, até mesmo, um periódico brasileiro, Genetics and Molecular Research, editado por uma fundação de Ribeirão Preto, a FUNPEC-RP (alguém conhece?).
Curt Rice, o autor desse outro texto publicado no Guardian, argumenta que o problema não está no modelo de acesso aberto, como o artigo da Science sugere, mas numa de suas modalidades, aquela em que o autor paga para ver o artigo publicado. Acho que ele está certo. No texto da Science, Bohannon se refere a essa modalidade como "the standard open-access 'gold' model: The author pays a fee if the paper is published." Sobre isso, há dois aspectos que merecem ser observados.
Em primeiro lugar, como Rice argumenta,
"this is a model that invites corruption. Set up a journal, accept some articles, charge a high fee, and publish the article on your website. This corruption is fed, of course, by the fact that researchers feel incredible pressure to publish more and more. It's also fed by a system that uses quantity as a proxy for quality. But it is a mistake to equate open access and author payment. There are traditional journals that require some payment, too, especially in connection with high typesetting costs" (grifo meu).Em segundo lugar, não tenho certeza de que o 'gold model' seja mesmo o formato padrão nas revistas de acesso aberto. De fato, duvido... Como Rice informa, 65% das revistas listadas no Directory of Open Access Journals (DOAJ) "do not charge authors to publish but are funded instead by universities directly or by research councils or professional societies". É esse o modelo que prevalece, por exemplo, entre as revistas incluídas na SciELO, o bem sucedido modelo de publicação eletrônica de periódicos científicos mantido pela Fapesp e pela BIREME.
Pra concluir, entre as lições a tirar desse caso, fica a conclusão óbvia para a qual venho apontando há um bom tempo: é esse resultado previsível da difusão de um modelo de avaliação acadêmica que toma a quantidade (o número de artigos publicados) para avaliar a qualidade da pesquisa. Nenhuma surpresa.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Críticas ao Qualis: um esclarecimento
Mal foi divulgado o novo Qualis da área de Economia e as críticas já começaram aqui e acolá. À luz do que eu disse em postagem anterior, é muito natural que elas existam e algumas são, a meu ver, pertinentes. Outras, porém, não se justificam e decorrem em larga medida do desconhecimento ou de ideias equivocadas a respeito do que é o Qualis. É fundamental notar que o Qualis não é e nem pode ser um ranking de revistas de Economia. Ele é, antes de tudo, uma ferramenta da Capes para a avaliação da pós-graduação da área de Economia. Dito isso, é preciso reconhecer que ele também é usado por outras instituições, como universidades e o CNPq, e para outros fins, como a avaliação de pesquisadores ou candidatos a vagas docentes, o que pode ser (e frequentemente é) um uso ainda mais problemático.
De todo modo, quando se tem em mente o objetivo da Capes ao criar essa ferramenta, algumas coisas que a primeira vista soam estranhas passam a fazer sentido. Por exemplo, há quem se surpreenda com a inclusão de uma revista como o International Journal of Hydrogen Energy no Qualis da área de Economia. A surpresa se explica pela expectativa de que o Qualis de Economia seja um ranking de periódicos dessa área. O que faz a Hydrogen Energy aí? A explicação, no entanto, é simples: queiramos ou não, o Qualis de Economia deve incluir todas as revistas em que algum professor de um programa de pós-graduação em Economia publicou um artigo. Esse artigo é parte da produção científica da área e deverá ser considerado para efeito da avaliação do programa de pós-graduação em que esse docente leciona.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
O novo Qualis da área de Economia
As principais novidades são:
1. a promoção de quatro revistas nacionais a B1, a saber: a Revista de Economia Política, a Estudos Econômicos, a Revista Brasileira de Economia, e a EconomiA (revista da Anpec).
2. o estabelecimento de um teto para o conceito atribuído a revistas de outras áreas: B2, se forem nacionais, e A2 se forem internacionais.
Como já tive oportunidade de comentar com alguns colegas, o documento expressou um compromisso possível entre os membros da comissão, da qual tomei parte. Duvido que alguém tenha saído da reunião satisfeito com o resultado. As razões para essa insatisfação, porém, são consideravelmente diversas e até mesmo opostas, o que expressa a dificuldade de nossa área no estabelecimento de critérios de classificação e na atribuição dos conceitos às revistas. Há divergências sobre critérios de avaliação de trabalhos acadêmicos, diferenças de compreensão teórica e metodológica sobre a área de economia e sobre a natureza do trabalho interdisciplinar, além de outros tipos de desacordo.
A comissão propôs que no início de 2013 seja organizada uma rodada de discussões sobre o Qualis, para tentar reduzir as divergências e pactuar critérios para os próximos triênios. É algo que julgo importante tentar, mesmo que a tarefa seja muito difícil. Se essa ideia prosperará e chegará a bom termo, é algo que vai depender de nossa iniciativa e capacidade de conversar mesmo divergindo. A ver.








