segunda-feira, 18 de julho de 2011

Bruce Caldwell e a necessidade da história do pensamento econômico

Não me recordo mais de quando foi a primeira vez que ouvi falar de Bruce Caldwell mas foi, certamente, a propósito do seu primeiro livro, Beyond positivism.

Lançado em 1982, o volume teve um papel importante naquele momento de renascimento do interesse de economistas acadêmicos por temas de metodologia da economia e teoria da ciência. Derivado de sua tese de doutoramento, o livro faz uma revisão abrangente da trajetória da filosofia da ciência no século XX - do positivismo lógico até Kuhn, Lakatos e Feyerabend - e dos debates metodológicos no interior da mainstream da economia - Robbins, Hutchison, Samuelson, Machlup e Friedman. Rejeitando os preconceitos positivistas que prevaleciam entre os economistas, Caldwell concluiu o livro com a defesa de um certo tipo de pluralismo metodológico pouco usual naquela época.

sábado, 16 de julho de 2011

HPE no Cedeplar

Atualmente, o Programa de Pós-graduação em Economia do Cedeplar tem um grupo relativamente grande de professores que pesquisam e ensinam temas de história do pensamento econômico e áreas relacionadas, como metodologia da economia e economia política. Em sua maioria, eles estão abrigados nos grupos de pesquisa sobre Metodologia e História do Pensamento Econômico e Economia Política Contemporânea.

Parte da produção recente desses pesquisadores pode ser conferida nos seis trabalhos listados abaixo, todos eles lançados ao longo do primeiro semestre de 2011 na série de Textos para Discussão do Cedeplar. Os links levam à base bibliográfica RePEc, onde os textos podem ser baixados:
  1. João Antonio de Paula et alli. Marx in 1869: Notebook B113, The Economist and the Money Market Review. (Texto para Discussão n° 417) Belo Horizonte: Cedeplar-UFMG, 2011.
    http://econpapers.repec.org/paper/cdptexdis/td417.htm

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Os 300 anos de Hume

Em 2011, estamos comemorando o 300° aniversário do nascimento de David Hume. Para celebrar a data, a equipe da Royal Society of Arts (RSA) reuniu dois importantes estudiosos do pensamento de Hume para comentar sua obra e os aspectos de seu pensamento que até hoje nos interessam.

Nicholas Phillipson
Nicholas Phillipson é historiador. Foi professor da Universidade de Edimburgo entre 1965 e 2004, onde ainda atua como pesquisador honorário. Seus trabalhos tratam da história intelectual e cultural da Escócia no período moderno e, em particular, da história do Iluminismo escocês. Foi editor da revista Modern Intellectual History e presidente da Eighteenth Century Scottish Studies Society. Recentemente, publicou um volume sobre Hume como historiador e uma aclamada biografia de Adam Smith.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Rosa Luxemburgo

Comemoram-se, em 2011, os 140 anos do nascimento de Rosa Luxemburgo. Ela nasceu em 5 de março de 1871, em Zamość, na Polônia (uma região então submetida ao Império Russo) e morreu em 15 de janeiro de 1919, quando foi presa e executada por um grupo paramilitar de direita, o Freikorps, que mais tarde apoiaria os nazistas, mas que naquele ano operava sob as ordens do governo social-democrata liderado por Friedrich Ebert.

Rosa Luxemburgo (1871-1919)
Escritora, ativista, revolucionária, economista e pensadora polítíca, a obra de Rosa sempre foi, para mim, um importante contraponto aos traços autoritários da tradição bolchevique. Seu internacionalismo e antimilitarismo, sua crítica apaixonada do capitalismo e sua defesa lúcida e sem concessões da liberdade e do socialismo fazem dela uma pensadora atual, alguém que tem muito o que dizer sobre o nosso tempo. Um tempo em que continuamos perante o dilema que ela formulou de modo clássico: "ou passagem ao socialismo, ou regressão à barbárie".


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Krugman e o comércio interestelar

Mesmo tendo sido educado na tradição teórica da economia neoclássica, Paul Krugman tem sido um crítico importante das limitações características desta forma de pensar a economia. Num famoso artigo escrito há dois anos, ele discutiu a incapacidade dos economistas de prever a chegada da crise de 2008 e, mais do que isso, sua cegueira para até mesmo a possibilidade de que uma crise como aquela derrubasse os mercados financeiros:

"Few economists saw our current crisis coming, but this predictive failure was the least of the field’s problems. More important was the profession’s blindness to the very possibility of catastrophic failures in a market economy. During the golden years, financial economists came to believe that markets were inherently stable — indeed, that stocks and other assets were always priced just right. There was nothing in the prevailing models suggesting the possibility of the kind of collapse that happened last year."

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A nova MEGA na Biblioteca Emílio Moura

No dia 11, estive na Biblioteca da FACE-UFMG para a entrega dos volumes da Marx-Engels-Gesamtausgabe (MEGA2) adquiridos com recursos do projeto de pesquisa "Em busca de novos horizontes para a economia política contemporânea".

Registro da entrega dos volumes da MEGA pelos professores
Eduardo Albuquerque  e Hugo da Gama Cerqueira à
Maria Célia Carvalho de Resende, bibliotecária-chefe
  da FACE-UFMG
(foto: Ricardo Ruiz)


O projeto, liderado pelo meu colega e amigo Eduardo Albuquerque e desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa em Economia Política Contemporânea do Cedeplar, contou com o apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Com os recursos obtidos, pudemos adquirir os volumes disponíveis da segunda seção da MEGA. Trata-se da seção de textos relacionados a O Capital e que inclui tanto o material preparatório (manuscritos de Marx, como os Grundrisse de 1857-58), quanto os textos publicados por Marx e Engels (como as várias versões do Livro I). Cada volume é composto de dois tomos: o primeiro, com o texto de Marx ou Engels, e o segundo, com um extenso e impressionante aparato crítico.

A lista completa dos títulos adquiridos pode ser conferida nesta notícia. Os volumes restantes da segunda seção deverão ser comprados oportunamente.



terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Sônia Viegas (1944-1989)

Participar da mesa em homenagem a Sônia Viegas durante o último Seminário de Diamantina foi uma das coisas boas que fiz em 2010. Sônia foi minha professora em disciplinas sobre cultura grega e história da filosofia grega, que frequentei na Fafich em meados dos anos 1980. Mais de vinte anos após sua morte, a impressão causada por suas aulas continua viva nos que tiveram a felicidade de frequentá-las.

Sônia Viegas (1944 - 1989)


Em Diamantina, pude falar um pouco sobre o trabalho de Sônia e sobre a influência marcante que teve na cena cultural de Belo Horizonte ao longo dos anos 1970 e 1980. A mesa-redonda foi coordenada por Maurício Campomori e contou também com a participação de Marcelo Pimenta Marques e Sérgio Alcides do Amaral. O registro em vídeo está disponível no site do Cedeplar e vai reproduzido abaixo.



Aqueles que quiserem conhecer mais sobre a vida e a obra de Sônia, podem recorrer aos três volumes de seus Escritos, organizados por Marcelo Pimenta Marques e publicados em 2009 pela Editora Tessitura: Filosofia e Arte, Filosofia Viva e Vida Filosófica.