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segunda-feira, 25 de julho de 2016

Socialismo ou barbárie

Na última semana, postei um texto escrito por Rosdolsky em que ele retoma a famosa expressão "socialismo ou barbárie". Rosdolsky atribui a origem dessa divisa a Engels. Ao fazê-lo, provavelmente ele estava apenas seguindo Rosa Luxemburgo, que popularizou o slogan na famosa Brochura Junius, um texto escrito na prisão, em 1915, e publicado em 1916. Naquele texto, Rosa afirmava:
“Friedrich Engels disse uma vez: a sociedade burguesa encontra-se perante um dilema - ou a passagem ao socialismo ou regressão à barbárie (...) Hoje, encontramo-nos, exatamente como Friedrich Engels previu há uma geração, 40 anos atrás, perante a escolha: ou triunfo do imperialismo e decadência de toda a civilização (...) ou vitória do socialismo...”
Rosa Luxemburgo (1871-1919)
A verdadeira origem dessa expressão, no entanto, tem sido objeto de controvérsia. A maioria concorda em atribuí-la a Engels, mas há considerável incerteza e polêmica em torno de qual texto desse autor corresponderia exatamente àquele que Rosa fez referência.

Outros intérpretes, como é o caso de Michael Löwy, seguem a mesma tese, mas enfatizam o sentido inteiramente novo que a expressão ganhou nos escritos de Rosa.

Karl Kautsky (1854-1938)
Recentemente, porém, deparei com um texto de Ian Angus, que  argumenta que o verdadeiro autor do slogan seria, nem mais nem menos, Karl Kautsky.

O argumento de Angus é engenhoso e, apesar disso, pouco conhecido. Até onde sei, não houve nenhuma crítica frontal ou refutação de sua tese, ao contrário, ela encontrou uma acolhida favorável entre alguns dos mais importantes estudiosos do período. Como o próprio Angus registra, seu comentário é parte de um movimento de releitura e reavaliação da influência e importância do Kautsky, inclusive quanto sua relação com Lenin. É uma das coisas curiosas de lidar com história das ideias, essa possibilidade de, com o tempo, redescobrir aquilo que no passado devia soar óbvio mas, por alguma razão, ficou esquecido ou oculto para os que vivem em outro contexto. Fica o registro.


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Rosa Luxemburgo e o capital financeiro

O vídeo abaixo reproduz uma conferência de Jan Toporowski, professor da SOAS, University of London. Ela foi uma homenagem a Tadeusz Kowalik, falecido em julho de 2012, e foi proferida em um workshop organizado pela Fundação Rosa Luxemburg em novembro do mesmo ano.

Em sua apresentação, Toporowski discute a abordagem de Rosa Luxemburgo sobre o capital financeiro, apontando sua originalidade em relação a outras abordagens marxistas do mesmo tema, como a de Rudolf Hilferding. Além disso, Toporowski contrasta a visão da mesma autora com a abordagem de Hyman Minsky e sua hipótese da fragilidade financeira.

O argumento básico da apresentação pode ser encontrado em um artigo publicado em uma coletânea organizada por Riccardo Bellofiore:
Toporowski, J., Rosa Luxemburg and finance. In: R. Bellofiore (ed.), Rosa Luxemburg and the Critique of Political Economy. London: Routledge, 2009.


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Rosa Luxemburgo no Brasil

Rosa: 'Liberdade é sempre a liberdade
daquele que pensa de modo diferente'.
No início desse ano escrevi um comentário sobre os 140 anos do nascimento de Rosa Luxemburgo. Entre outros aspectos, comentei algumas iniciativas editoriais em curso no exterior para comemorar essa data, das quais a principal é o lançamento de uma versão inglesa de suas obras completas. À época, eu disse que não tinha conhecimento de qualquer iniciativa do gênero no Brasil. Pura desinformação...

Dias atrás, passeando por uma de minhas livrarias preferidas, deparei com três volumes em capa bege contendo uma coletânea de textos políticos e cartas de Rosa Luxemburgo. Os livros, lançados recentemente pela Editora da Unesp, foram organizados por Isabel Loureiro, que além de ser uma das grandes estudiosas da obra de Rosa, vem cumprindo um papel importante na divulgação de suas ideias no Brasil, dando continuidade ao esforço pioneiro, iniciado no pós-Guerra, pelo grande Mário Pedrosa, e seguido por Paulo Singer, Maurício Tragtenberg, Michael Löwy e outros tantos.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Rosa Luxemburgo

Comemoram-se, em 2011, os 140 anos do nascimento de Rosa Luxemburgo. Ela nasceu em 5 de março de 1871, em Zamość, na Polônia (uma região então submetida ao Império Russo) e morreu em 15 de janeiro de 1919, quando foi presa e executada por um grupo paramilitar de direita, o Freikorps, que mais tarde apoiaria os nazistas, mas que naquele ano operava sob as ordens do governo social-democrata liderado por Friedrich Ebert.

Rosa Luxemburgo (1871-1919)
Escritora, ativista, revolucionária, economista e pensadora polítíca, a obra de Rosa sempre foi, para mim, um importante contraponto aos traços autoritários da tradição bolchevique. Seu internacionalismo e antimilitarismo, sua crítica apaixonada do capitalismo e sua defesa lúcida e sem concessões da liberdade e do socialismo fazem dela uma pensadora atual, alguém que tem muito o que dizer sobre o nosso tempo. Um tempo em que continuamos perante o dilema que ela formulou de modo clássico: "ou passagem ao socialismo, ou regressão à barbárie".