Acabam de ser publicados os 14 vídeos de uma série de aulas sobre o primeiro livro d'O Capital, Marx, proferidas por Riccardo Bellofiore (Università di Bergamo). Os vídeos foram registrados em Turim, entre outubro de 2014 e maio de 2015, e as aulas foram ministradas em italiano.
Curiosidades sobre tudo que me interessa: de filosofia a romances policiais, de economia a imagens que dispensam qualquer comentário.
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
Manuscritos de Marx e Engels estão disponíveis para consulta
O Instituto Internacional de História Social (IIHS), de Amsterdã, anunciou recentemente a digitalização e disponibilização on line de todos os textos originais da coleção Marx e Engels. Eles agora podem ser consultados pela internet, através do catálogo das coleções do IIHS, e baixados gratuitamente em formato PDF.
O Arquivo Marx/Engels reúne textos e manuscritos desses dois autores, que foram preservados pelo IIHS desde 1938:
No âmbito das pesquisas desenvolvidas no Cedeplar, temos trabalhado com alguns dos manuscritos inéditos de Marx guardados pelo IIHS, seus cadernos de excertos dos anos 1860, para entender a evolução de sua concepção teórica sobre as crises econômicas do capitalismo. Alguns resultados dessa pesquisa podem ser vistos nos textos Notes on a crisis e Marx, the notebooks on the crisis of 1866 and structural changes in capitalism, escritos pela equipe envolvida no projeto.
Para os que tem uma curiosidade menos "profissional" pela obra dos dois pensadores, não deixa de ser interessante ter a possibilidade de travar contato direto com esse material. Ler os manuscritos, porém, é uma outra questão. São muitas as dificuldades a serem vencidas, a começar pelo deciframento da caligrafia de Marx, que exige conhecimentos de especialista. De todo modo, poder consultar a íntegra desse material através da internet tornará, sem dúvida, mais simples a tarefa de estudá-los.
O Arquivo Marx/Engels reúne textos e manuscritos desses dois autores, que foram preservados pelo IIHS desde 1938:
"Entre os papéis de Marx, há documentos pessoais e sua correspondência com Engels, Bruno Bauer, Nikolai Danielson, Moses Hess (...) e muitos outros. A coleção inclui também a correspondência com membros da família, os manuscritos de sua tese doutoral, partes do manuscrito de Para a crítica da filosofia do direito de Hegel e d’A ideologia alemã, os manuscritos econômicos de 1857-1859 e partes d’O Capital, inclusive as correções e notas adicionais feitas num exemplar impresso com vistas à segunda edição do Livro I. Há ainda quase 200 cadernos de notas com excertos de livros e publicações sobre economia, história, filosofia e outras áreas científicas. Entre os papéis de Engels, além de documentos pessoais e de sua correspondência com Marx, Victor Adler, August Bebel, Eduard Bernstein, Karl Kautsky, Antonio Labriola, Paul Lafargue, Georgij Plekhanov e outras tantas pessoas, há também manuscritos da Dialética da natureza, trabalhos preliminares para a composição do Anti-Dühring, além de notas e excertos de livros e outras publicações".Os materiais do Arquivo tem sido intensamente estudados por pesquisadores de todo o mundo, particularmente no contexto dos esforços realizados nos últimos anos para editar uma nova coleção das obras completas de Marx e Engels, a Marx-Engels-Gesamtausgabe ou MEGA2 (a esse respeito, veja-se o texto Da MEGA à MEGA2).
No âmbito das pesquisas desenvolvidas no Cedeplar, temos trabalhado com alguns dos manuscritos inéditos de Marx guardados pelo IIHS, seus cadernos de excertos dos anos 1860, para entender a evolução de sua concepção teórica sobre as crises econômicas do capitalismo. Alguns resultados dessa pesquisa podem ser vistos nos textos Notes on a crisis e Marx, the notebooks on the crisis of 1866 and structural changes in capitalism, escritos pela equipe envolvida no projeto.
Para os que tem uma curiosidade menos "profissional" pela obra dos dois pensadores, não deixa de ser interessante ter a possibilidade de travar contato direto com esse material. Ler os manuscritos, porém, é uma outra questão. São muitas as dificuldades a serem vencidas, a começar pelo deciframento da caligrafia de Marx, que exige conhecimentos de especialista. De todo modo, poder consultar a íntegra desse material através da internet tornará, sem dúvida, mais simples a tarefa de estudá-los.
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| Um manuscrito de Marx mostrando sua caligrafia característica. |
sábado, 17 de outubro de 2015
Seminário: Crise capitalista e perspectivas emancipatórias
De 27 a 29 de outubro, o Cedeplar promoverá o seminário Crise capitalista e perspectivas emancipatórias. O evento está sendo organizado pelo grupo de pesquisa em Economia Política Contemporânea, e contará com a presença de convidados como Alex Callinicos, professor de teoria social e economia política internacional do King's College London, e outros 28 pesquisadores e professores de diferentes universidades brasileiras.
O seminário tem por objetivo
As inscrições podem ser feitas através do envio da ficha de inscrição, acompanhada do comprovante de pagamento da taxa, para o email seminarios@cedeplar.ufmg.br
O seminário tem por objetivo
"discutir aspectos relevantes da realidade social, econômica, política, cultural e contemporânea em perspectiva crítica. O ponto de partida da proposta é a constatação da exacerbação da crise capitalista mundial, que não se restringe à dimensão econômica, e que tem sido acompanhada, de um lado, de significativa perda da relevância de respostas à esquerda, seja do ponto de vista organizativo, seja do ponto de vista programático; e, de outro lado, de ameaçadora expansão obscurantista. A esses aspectos gerais buscar-se-á, também, considerar os rebatimentos sobre o Brasil da crise mundial privilegiando-se, no referente ao País, um balanço e perspectivas da economia brasileira."Ele está organizado a partir de três grandes temas: A Crise Capitalista Mundial; Um Marxismo para o nosso Tempo; e Economia, Política e Sociedade Brasileira. Para cada tema estão previstas três ou quatro mesas-redondas que contarão, cada uma, com a participação de dois expositores e um debatedor. A programação completa pode ser conferida no site do Cedeplar. A intenção é que as exposições e as intervenções dos debatedores sejam posteriormente reunidas de modo a compor um livro-síntese dos resultados do Seminário.
As inscrições podem ser feitas através do envio da ficha de inscrição, acompanhada do comprovante de pagamento da taxa, para o email seminarios@cedeplar.ufmg.br
domingo, 11 de outubro de 2015
Os melhores romances policiais de 2014
Fiz o rascunho dessa postagem há um bom tempo, mas confesso que já tinha esquecido de publicá-la. Vai agora, então, com muito atraso, nem que seja para manter a série.
O ano de 2014 foi rico de novidades pra quem aprecia o gênero policial, a começar pelos lançamentos de novas edições e traduções de autores como Simenon, pela L&PM e Cia das Letras, e Agatha Christie, pela L&PM, Globo e Nova Fronteira. A exemplo do que fiz em anos anteriores, minha lista deixa de fora esses "clássicos" e se limita a indicar os melhores lançamentos entre os que tive a chance (e tempo) de ler ao longo do ano. Entre eles, dois livros mais antigos, mas somente agora lançados no Brasil: Roseanna, da dupla que deu origem à vertente nórdica do romance policial, Maj Sjöwall e Per Wahlöö, e Caçada mortal, que chegou ao Brasil simultaneamente ao lançamento do filme baseado nesse romance de Lawrence Block.
A lista é essa:
O ano de 2014 foi rico de novidades pra quem aprecia o gênero policial, a começar pelos lançamentos de novas edições e traduções de autores como Simenon, pela L&PM e Cia das Letras, e Agatha Christie, pela L&PM, Globo e Nova Fronteira. A exemplo do que fiz em anos anteriores, minha lista deixa de fora esses "clássicos" e se limita a indicar os melhores lançamentos entre os que tive a chance (e tempo) de ler ao longo do ano. Entre eles, dois livros mais antigos, mas somente agora lançados no Brasil: Roseanna, da dupla que deu origem à vertente nórdica do romance policial, Maj Sjöwall e Per Wahlöö, e Caçada mortal, que chegou ao Brasil simultaneamente ao lançamento do filme baseado nesse romance de Lawrence Block.
A lista é essa:
O Leopardo, de Jo Nesbo.
Tradução de Grete Skevik.
Record, 2014.
Tradução de Grete Skevik.
Record, 2014.
terça-feira, 5 de maio de 2015
Sem comentários (15)
Feliz aniversário, Karl!
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| Créditos da imagem: usuários do flickr saigneurdeguerre, johnath, e clockworkgrue apud Tamiment Library and Wagner Archives |
domingo, 14 de setembro de 2014
Sobre o Seminário de Diamantina (2)
Na última quarta, 10/09, fui convidado para participar da gravação do programa Dois Pontos, da TV UFMG, sobre o próximo Seminário sobre a Economia Mineira.
Não é todo dia que a gente pode falar daquilo que gosta e, menos ainda, em companhia de uma amigo como João Antonio de Paula. Coordenador da 16ª edição do Seminário, João Antonio tem sido, desde o início, fundamental para fazer do Seminário de Diamantina o evento bem sucedido que ele se tornou.
O vídeo do programa está publicado no You Tube e pode ser conferido abaixo.
Não é todo dia que a gente pode falar daquilo que gosta e, menos ainda, em companhia de uma amigo como João Antonio de Paula. Coordenador da 16ª edição do Seminário, João Antonio tem sido, desde o início, fundamental para fazer do Seminário de Diamantina o evento bem sucedido que ele se tornou.
O vídeo do programa está publicado no You Tube e pode ser conferido abaixo.
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Sobre o Seminário de Diamantina
O texto abaixo foi escrito para a edição n° 1875 do Boletim UFMG:
Era 1982 e vivíamos os últimos anos do regime militar. A economia passava por uma crise acentuada: inflação em alta, dívida externa em crescimento, desemprego elevado e o país a caminho da recessão. O movimento pelas Diretas Já ainda não tinha ganhado força, mas havia a expectativa das primeiras eleições para os governos estaduais desde os anos 1960, que acabariam selando a vitória da oposição em boa parte dos estados. Foi nesse contexto que um grupo de professores do Cedeplar decidiu organizar um seminário para discutir a situação e as perspectivas da economia de Minas Gerais. Estava criado o Seminário sobre a Economia Mineira.
Algumas decisões tomadas naquele momento foram decisivas para assegurar o sucesso do evento ao longo dos 32 anos que se seguiram à sua criação. A primeira foi a ideia de realizá-lo fora de Belo Horizonte, na cidade histórica de Diamantina, que recebeu todas as 15 edições do Seminário. Se a intenção era garantir certa distância da rotina e das demandas cotidianas e tranquilidade para refletir em tempo integral sobre a realidade mineira e seu lugar no contexto nacional, o fato é que a escolha de Diamantina acabou marcando de forma duradoura o espírito do evento.
Não por acaso, ele é mais conhecido como Seminário de Diamantina. A história agitada daquela cidade, seu cenário natural e sua arquitetura colonial, a riqueza de sua tradição cultural na música e na literatura, a hospitalidade e simpatia de sua gente, tudo contribuiu para assegurar o sucesso dos eventos e para nos fazer lembrar que pensar sobre Minas era também um modo de debater sobre as questões mais amplas do nosso tempo, sobre o desenvolvimento nacional e a superação do atraso, sobre a emancipação humana e a construção de uma sociedade democrática e solidária.
A segunda decisão que marcou a trajetória do Seminário foi a de dar ao evento uma natureza multi e interdisciplinar, recebendo trabalhos de economia, demografia e história, que à época correspondiam aos temas que dominavam a agenda de trabalho dos professores do Cedeplar. De lá para cá, essa abertura se acentuou, e o Seminário acolheu textos propostos por arquitetos, geógrafos, cientistas políticos e sociólogos, abrindo-se também à discussão de temas como o meio ambiente e as cidades, que convidam justamente à busca de uma perspectiva que não seja meramente disciplinar ou segmentada.
Em terceiro lugar, sem trair o compromisso com o rigor e a crítica que são próprios da reflexão acadêmica, o contexto das mudanças políticas em curso naquele ano de 1982 contribuiu para que o Seminário recebesse um público mais amplo que o estritamente universitário – empresários, sindicalistas, quadros da administração pública, entre outros – e abarcasse a discussão de temas ligados à formulação e avaliação de políticas públicas.
Finalmente, outra marca do evento, presente desde a sua origem, é a capacidade de encarar a discussão sobre a economia e a sociedade mineiras como parte de uma reflexão mais ampla sobre a cultura, sobre os valores e os modos de expressarmos nossas inquietações, engenho e criatividade. Os debates com compositores, poetas, prosadores e críticos, as apresentações teatrais e musicais, as exposições e diferentes expressões culturais foram presença constante e ponto alto das programações. Para os que estiveram lá, como eu, é emocionante lembrar o que sentimos no show de comemoração dos 40 anos do Clube da Esquina, em 2012, assim como é impossível esquecer o fascínio provocado por Francisco Iglésias, Antonio Candido, Fernando Brant, Affonso Romano de Sant’Anna, Otávio Dulci e Vera Alice Cardoso, que, na mesa de encerramento do primeiro Seminário, em 1982, discutiram as muitas Minas, prendendo a atenção de todos até às 23 horas!
Eu era aluno de graduação da Face e estava presente naquela noite memorável. Desde então, participei de boa parte dos Seminários de Diamantina. Não é exagero afirmar que minha trajetória acadêmica – e a de muitos docentes que hoje estão à frente do Cedeplar e da Faculdade de Ciências Econômicas – se confunde, de algum modo, com a do próprio Seminário. A cada dois anos em que ele se realiza, temos observado os resultados de nosso trabalho, refletidos nos textos que apresentamos e na produção dos nossos alunos de graduação e pós-graduação. Mais do que isso, os seminários têm sido um momento para ensaiar novas questões, para avaliar o que foi feito e buscar os temas que irão povoar nossa agenda de pesquisas. Numa palavra, os Seminários de Diamantina têm-se constituído em momento de compreender e avaliar o sentido do trabalho que fazemos, de buscar novos rumos e repactuar os valores acadêmicos que nos são caros.
Quero acreditar que isso valha também para as centenas de participantes do Seminário provenientes de outras unidades da UFMG, de outras instituições universitárias e de pesquisa, de órgãos e agências governamentais, ONGs e outros. Se em algum momento fez sentido pensar no Seminário de Diamantina como atividade do Cedeplar ou da UFMG, é claro que seu crescimento e diversificação tornaram-no muito maior do que as instituições que deram origem a ele. É bom que seja assim, que ele cumpra cada vez mais o papel de aglutinar e criar laços de cooperação acadêmica entre pessoas de diversas regiões e formações, sem esquecer as amizades e afetos criados nas salas, ruas, auditórios e bares de Diamantina.
Concluo prestando minha homenagem aos que criaram o Seminário e a todos que, nas últimas três décadas, contribuíram para que ele se realizasse. Somos gratos pelo que fizeram e pelo rumo que imprimiram ao evento. Neste setembro de 2014, em que vamos realizar a 16ª edição do Seminário, esperamos que ele seja capaz de se renovar e de dar início a uma “vida nova”.
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