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quarta-feira, 17 de julho de 2019

Andrea Camilleri (1925-2019)


Andrea Camilleri tinha 69 anos quando publicou A Forma da Água, o primeiro livro da série com o Inspetor Montalbano. Demorou cinco anos para que a tradução fosse publicada no Brasil (ela chegou três anos antes da tradução inglesa, o que não deixa de ser um consolo). Depois disso, foi uma espera contínua pelos livros seguintes da série, da qual me tornei um leitor assíduo.

Montalbano nunca me decepcionou. Sempre debochando dos poderosos e expondo sua truculência e sua estupidez. Camilleri, também, jamais me decepcionou. Não se calou diante dos absurdos de Berlusconi e Salvini, e nunca poupou a direita ensandecida de seu país de uma crítica justa e dura.

Livro após livro, Camilleri e Montalbano animaram meus sonhos de morar em Vigatá, frequentar suas trattorias e osterias, conhecer Livia, Fazio, Mimì Augello, o jornalista Nicolò Zito e conversar com Catarè, o impagável Catarella, "pessoalmente em pessoa".

Andrea Camilleri morreu ontem, aos 93 anos. Dizem que deixou com seu editor um volume inédito em que conta a última estória de Montalbano. A ver.

Descansa em paz.
 
 

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Os melhores romances policiais de 2018


Hoje é o último dia de minhas férias e decidi retomar um hábito que mantive por um bom tempo, mas que, por falta de tempo, ficou suspenso nos últimos dois anos: o de listar aqui alguns dos melhores romances políciais que li no ano que terminou. A lista não tem qualquer pretensão além de fazer um registro pessoal mas, a julgar pela popularidades destas postagens, pode servir para mais alguém como uma espécie de sugestão de leituras.

Ressalvo, de todo modo, que a lista não é de lançamentos, isto é, de livros publicados em 2018, mas dos melhores entre os romances policiais (em sentido amplo) que pude ler no último ano. Sem mais comentários, foram os seguintes:



Polícia, de Jo Nesbo. 
Tradução de Kristin Garrubo.
Editora Record, 2017.

O sol da meia-noite, de Jo Nesbo. 
Tradução de Christian Schwartz e Liliana Negrello.
Editora Record, 2018.

   Com a morte de Stieg Larsson e Henning Mankell, não tenho dúvida alguma de afirmar que Jo Nesbo é o melhor autor vivo de romances policiais nórdicos (o meu estilo preferido). Sua assinatura é praticamente a certeza de um bom livro e estes dois, que li no ano passado, não desapontam.

Polícia
é o penúltimo volume publicado da série com o detetive Harry Hole, um personagem inesquecível, às voltas com seus demônios, e o principal responsável pelo sucesso da série, que já vendeu milhões de exemplares. O volume seguinte, Sede, já foi lançado em português e, em 2019, deve sair Kniv (Faca), que ainda não tem previsão de ser publicado por aqui. 

O sol da meia-noite
, por sua vez, dá continuação a Sangue na neve, e é o segundo volume da série protagonizada por Olav Johansen, um matador de aluguel que tem enorme dificuldade em desempenhar sua profissão. Por conta disso, ele tem que fugir do seu antigo patrão, um traficante de Oslo que pôs sua cabeça a prêmio, indo parar numa remota cidadezinha norueguesa habitada por uma comunidade de seguidores do laestadianismo. É Nesbo em um de seus melhores momentos.



O desaparecido, de Dror Mishani. 
Tradução de Paulo Geiger.
Cia das Letras, 2017.

Dror Mishani é um autor israelense. Estudioso da literatura de romances policiais, é também um escritor de mão cheia. O desaparecido é seu primeiro livro e, até aqui, o único traduzido para o português. Foi escrito enquanto o autor tentava redigir uma tese de doutoramento, o que por si só já é curioso. Posso assegurar que a narrativa e o personagem principal, o detetive Avraham Avraham, são diferentes de tudo que eu já tinha lido. Não por acaso, o livro acabou ganhando o prestigioso Martin Beck Award, conferido pela Svenska Deckarakademin, a Academia Sueca de Autores de Romances Policiais.

Numa palavra? Leiam!






Gênese, de Karin Slaughter. 
Tradução de Gustavo Mesquita.
Editora Record, 2017.

Destroçados, de Karin Slaughter. 
Tradução de Cláudia Costa Guimarães.
Editora Record, 2018.

Karin Slaughter se destaca entre as autoras americanas mais recentes da área. Nestes volumes dois de seus personagens mais famosos se encontram e dividem a mesma estória: Sara Linton, uma médica pediatra e (ex-) legista em tempo-parcial, e Will Trent, agente especial do Georgia Bureau of Investigation (GBI) em Atlanta.

Pra resumir: dois bons suspenses, destes que prendem a atenção, mas não convém esperar muito mais do que isso.








domingo, 14 de fevereiro de 2016

Os melhores romances policiais de 2015

O ano passado não me deixou muito tempo para leituras. Ainda assim, consegui acompanhar alguns lançamentos e descobrir autores já publicados no Brasil que eu desconhecia. Para manter a tradição e compartilhar as boas experiências com que se interessar, aqui vai a minha lista dos melhores romances policiais que li em 2015.

São esses:

A entrega, Denis Lehane
A entrega, de Dennis Lehane.
Tradução de Luciano Vieira Machado.
Cia das Letras, 2015.

O rabo da serpente, de Leonardo PaduraO rabo da serpente, de Leonardo Padura.
Tradução de Diogo de Hollanda.
Benvirá, 2015.


O homem que virou fumaça, de Maj Sjöwall e Per Wahlöö.
Tradução de Maurette Brandt.
Record, 2015.







Sangue na neve, de Jo Nesbo.
Tradução de Gustavo Mesquita.
Record, 2015.









A rede, de Hakan Nesser.
Tradução de Patrícia Broers-Lehmann.
Objetiva, 2005.







Hereges, de Leonardo Padura.
Tradução de Bernardo Pericás Neto, Ari Roitman e Paulina Wacht.
Boitempo, 2015.








As listas de anos anteriores podem ser vistas aqui.

domingo, 11 de outubro de 2015

Os melhores romances policiais de 2014

Fiz o rascunho dessa postagem há um bom tempo, mas confesso que já tinha esquecido de publicá-la. Vai agora, então, com muito atraso, nem que seja para manter a série.

O ano de 2014 foi rico de novidades pra quem aprecia o gênero policial, a começar pelos lançamentos de novas edições e traduções de autores como Simenon, pela L&PM e Cia das Letras, e Agatha Christie, pela L&PM, Globo e Nova Fronteira. A exemplo do que fiz em anos anteriores, minha lista deixa de fora esses "clássicos" e se limita a indicar os melhores lançamentos entre os que tive a chance (e tempo) de ler ao longo do ano. Entre eles, dois livros mais antigos, mas somente agora lançados no Brasil: Roseanna, da dupla que deu origem à vertente nórdica do romance policial, Maj Sjöwall e Per Wahlöö, e Caçada mortal, que chegou ao Brasil simultaneamente ao lançamento do filme baseado nesse romance de Lawrence Block.

A lista é essa:

Os filhos da noite, de Dennis Lehane
Os filhos da noite, de Dennis Lehane.
Tradução de Fernanda Abreu.
Cia das Letras, 2013.



 








O Leopardo, de Jo Nesbo.
Tradução de Grete Skevik.
Record, 2014.









O beco dos mortos, de Ian Rankin.
Tradução de Álvaro Hattnher.
Cia das Letras, 2014.










Roseanna, de Maj Sjöwall e Per Wahlöö.
Tradução de Maurette Brandt.
Record, 2014.










Caçada mortal, de Lawrence Block.
Tradução de Gustavo Mesquita.
Record, 2014.




domingo, 25 de maio de 2014

Os melhores romances policiais de 2013

O ano já vai quase pela metade e ainda não publiquei minha lista dos melhores romances policiais de 2013 (consulte a lista dos melhores em 2012 e 2011). Para não quebrar a série e evitar mais demoras, vou me limitar a indicar os livros, sem maiores comentários.  Antes disso, faço dois avisos importantes.

O primeiro, é que a lista reúne os melhores policiais entre os que pude ler em 2013. Alguns foram lançados ainda em 2012. Por outro lado, alguns lançamentos de 2013 podem ter passado desapercebidos.

O segundo aviso é que não costumo incluir autores que considero bons demais pra tomarem parte em qualquer lista sob o risco de não deixarem espaço pra mais ninguém. É o caso de um Simenon, por exemplo, de quem continuo lendo os volumes relançados pela L&PM.

Na mesma linha, tomei a decisão de não incluir O homem que amava os cachorros, do cubano Leonardo Padura. Apesar de ser um autor consagrado de romances policiais, o livro não se encaixa exatamente no gênero. Além disso, ele não está apenas entre os melhores policiais lançados em 2013, mas foi o melhor romance que li no último ano. Fica, portanto, como uma recomendação à parte.

Dito isso, aqui está a minha lista dos melhores policiais de 2013. São os seguintes:

Morte em Pemberley, de P. D. James.
Tradução de Sonia Moreira.
Cia das Letras, 2013.



 





Boneco de Neve, de Jo Nesbo.
Tradução de Grete Skevik.
Record, 2013.









O Exército Furioso, de Fred Vargas.
Tradução de Dorothée de Bruchard.
Cia das Letras, 2012.









O Segredo do Lago, de Arnaldur Indridason.
Tradução de Álvaro Hattnher.
Cia das Letras, 2013.









O Clube Dante, de Mathew Pearl.
Tradução de Maria José Silveira.
Record, 2012.




domingo, 5 de maio de 2013

Os melhores romances policiais de 2012

No início do ano passado escrevi um post sobre os melhores romances policiais que eu li em 2011. É de longe o texto mais lido deste blog e houve até quem me agradecesse pessoalmente pelas sugestões. Vai daí que resolvi deixar as reservas de lado e retomar o tema, listando aqui os melhores livros do gênero entre aqueles que eu li em em 2012.

A exemplo dos que compuseram a primeira lista, são romances escritos por autores diferentes, com estilos bem diversos. Predominam escritores nórdicos: Henning Mankell, Arnaldur Indridason e Jo Nesbo. Comentei sobre esses autores no post anterior. Eles estão em evidência e por isso são traduzidos e lançados no Brasil com regularidade, mas o que importa é que são realmente bons no ofício.

Outro autor que integra a minha lista é um inglês que, até então, eu não conhecia. David Peace nasceu em 1967, em Yorkshire, e é o autor de uma série em quatro volumes - Red Riding Quartet - da qual os dois primeiros foram publicados no Brasil: 1974 e 1977. Os dois volumes que completam a série, 1980 e 1983, ainda não foram traduzidos. São romances inspirados em assassinatos ocorridos no norte da Inglaterra entre 1975 e 1980 e atribuídos ao estripador de Yorkshire. O texto de Peace é diferente de tudo que eu já tinha lido: seco, ritmado,com cortes rápidos. Não sei se agradará a outros, mas foi a melhor surpresa do ano na área.

Completando a relação, Donna Leon, uma americana radicada há décadas na Itália e autora de uma série de romances policiais que tem Veneza e seus arredores por cenário e, como protagonista, o impagável Commissario Guido Brunetti. Nesses livros, a autora retrata com simpatia e cumplicidade os costumes e hábitos dos moradores da Itália, uma sociedade marcada pela corrupção e pelo crime, mas também pelo amor à cultura, pela indignação diante da violência e pela capacidade de celebrar a vida.

Por fim, faço duas ressalvas. A primeira é que não tenho a pretensão de ter lido toda a literatura policial lançada em 2012, de tal modo que é possível que algum bom título tenha escapado à minha atenção. A segunda é que minha lista exclui intencionalmente os livros de alguns autores que tenho o hábito de ler mas que considero bons demais pra tomarem parte de qualquer lista sob o risco de não deixarem espaço pra mais ninguém (os livros de um Simenon, por exemplo).

Dito isso, são esses os melhores romances policias que eu li em 2012:

A quinta mulher, de Henning Mankell.
Tradução de Luciano Machado.
Cia das Letras, 2012.

Vozes, de Arnaldur Indridason
Vozes, de Arnaldur Indridason.
Tradução de Álvaro Hattnher.
Cia das Letras, 2012.

O Redentor, de Jo Nesbo. 
Tradução de Grete Skevik.
Editora Record, 2012.



Headhunters
Headhunters, de Jo Nesbo.
Tradução de Kristin Lie Garrubo.
Editora Record, 2012.

1974, de David Peace.
Tradução de Rodrigo Peixoto.
Benvirá, 2012.

Remédios mortais, de Donna Leon.
Tradução de Carlos Alberto Bárbaro.
Cia das Letras, 2012.


O fardo da nobreza, de Donna Leon.
Tradução de Carlos Alberto Bárbaro.
Cia das Letras, 2012.



terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Os melhores romances policiais de 2011


É começo de ano e, por pura ociosidade, resolvi fazer uma lista dos melhores romances policiais que eu li no último ano. Não é, portanto, uma seleção entre todos os lançamentos de 2011, mas uma lista daqueles que mais gostei entre os romances lançados em 2011 e que pude ler.

São cinco livros de autores que eu já conhecia bem: dois escoceses (Rankin e Samson), dois escandinavos (Nesbo e Mankell) e uma francesa (Vargas). O sexto é de Indridason, um autor nórdico menos conhecido (ao menos para mim). A lista é essa:

Ian Rankin. Denúncias (tradução de Álvaro Hattnher, Cia das Letras, 2011).

Ian Rankin é um escritor escocês consagrado pela série de 17 livros protagonizados pelo detetive John Rebus. Iniciada em 1987 com Knots and crosses e concluída vinte anos mais tarde com Exit music,  a série teve 10 episódios adaptados para televisão. No Brasil, só três volumes foram publicados pela Cia das Letras: Questão de sangue (2007), Os ressuscitados (2008) e O enigmista (2010).

Denúncias, lançado originalmente em 2009 com o título de The complaints, é o primeiro romance de uma nova série cujo personagem central é o inspetor Malcolm Fox, da Divisão de Denúncias (The Complaints and Conduct Department) da Polícia de Lothian and Borders, em Edimburgo. A exemplo de Rebus, Fox é um homem dividido e atormentado, às voltas com o alcoolismo, crises pessoais e dilemas morais que o tornam um perfeito exemplar dos personagens da vertente contemporânea do romance policial escocês, aquilo que já se convencionou chamar de Tartan Noir. Agora é torcer para que a editora lance outro livro de Rankin em 2012.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Minha decepção com a Editora Planeta

Terminei a leitura de A Princesa de Gelo, o primeiro livro da escritora sueca Camilla Läckberg. A autora é apresentada como "a nova Agatha Christie", alguém que "acaba de receber a coroa de nova rainha do crime". Frases desse tipo me fizeram pensar três vezes antes de adquirir o livro, mas resolvi desconsiderar esse marketing de quinta categoria e dar uma chance à autora.

Feita a leitura, confesso que achei a trama mediana. Em minha opinião, está longe de chegar ao nível  alcançado por outros autores nórdicos, como Stieg Larsson, Henning Mankell, Jo Nesbo ou Arnaldur Indridason que, para mim, compõem o primeiro time do romance policial escandinavo; não chega nem mesmo ao nível de Karin Fossum ou Asa Larsson. A comparação com Agatha Christie é inteiramente despropositada e, para chegar a "rainha do crime", Camilla Läckberg tem ainda um longuíssimo caminho a percorrer. De todo modo, o livro recebeu o Grand prix de littérature policière em 2008 para romances estrangeiros e esse foi somente o primeiro trabalho da autora, publicado originalmente em 2003, quando ela não tinha mais que 29 anos. Nem tudo está perdido, portanto.