segunda-feira, 14 de maio de 2018

A pesquisa sobre a obra de Marx no âmbito do Cedeplar e da UFMG.

Em função das comemorações em torno dos 200 anos do nascimento de Karl Marx, a imprensa tem publicado várias matérias e comentários sobre suas ideias e sua influência.

Tomo a liberdade de chamar a atenção para uma matéria publicada no site da Universidade Federal de Minas Gerais com o título de "Pesquisadores da Face estudam manuscritos inéditos de Marx". Ela relata o trabalho que um grupo de pesquisadores do Cedeplar - entre os quais, este que vos escreve - vem desenvolvendo desde 2008 em torno da compreensão do sentido sentido teórico de alguns manuscritos inéditos de Marx. Ela é parte de uma série mais ampla de matérias sobre o pensador alemão.





Aproveito também para mencionar o artigo publicado no caderno Cultura & Estilo do jornal Valor Econômico com o título de "Marx: ontem, hoje e amanhã". A matéria foi publicada no final de abril e, ao lado de outros professores entrevistados pelo jornalista Cyro Andrade, faço alguns comentários sobre a atualidade da obra de Marx.

domingo, 6 de maio de 2018

Uma entrevista com Michael Heinrich na Ilustríssima

Meu amigo Silvestre chamou minha atenção para a entrevista com Michael Heinrich na Ilustríssima de hoje e eu agradeço a ele por isso. Gosto do que o Heinrich tem a dizer sobre Marx e recomendo a leitura pra quem mais se interessar pelo assunto. Adorei especialmente a frase do Egon Friedell que ele cita e que eu ainda não conhecia: "Marxistas são pessoas que nunca entenderam Marx". Pois é...

Por outro lado, é a Folha sendo a Folha. Reconheço que tentaram ser simpáticos mas, permitam a franqueza do comentário: acho incrível como não conseguem escapar de alguns lugares comuns. Por exemplo, parece que no Brasil é proibido falar em Marx sem mencionar FHC (ou Gianotti) e o famoso seminário uspiano sobre O Capital. É um caso extremo de paroquialismo movido, ao que parece, pela mais completa ignorância do que se passa em qualquer parte do Brasil que fique a mais de 100 km da Praça da Sé...

Outra coisa típica é esta salada de frutas de referências que vem a propósito de sei-lá-eu-o-quê. Pergunto: por que a entrevista com o Heinrich tem que ser antecedida de comentários sobre Zizek ou referências a Anderson, Badiou, Sarlo!?! Nada contra Zizek ou quem quer que seja, mas o que o "lé" tem a ver com o "cré"? São coisas inteiramente distintas... Perderam a oportunidade de apresentar o entrevistado, de comentar seu trabalho anterior, o que, penso eu, faria muito mais sentido.

Pra terminar, a inevitável pergunta sobre o Brasil!!! Eu lamento que o Heinrich não tenha simplesmente se negado a responder, mas o problema é bem menos a resposta dele e muito mais o de entender este mistério (que também vale pra outros entrevistados estrangeiros): por que é que os jornalistas e editores acham que um professor de Berlim que é biógrafo de Marx tem coisas importantes a dizer sobre o PT ou a política brasileira? Que tristeza...

Michael Heinrich

Novas biografias de Marx

Para quem é visto por aí como um pensador a ser esquecido, a última década foi até bem pródiga na publicação de novas e alentadas biografias de Karl Marx. Entre as que tiveram maior destaque, e que foram rapidamente traduzidas para o português, podemos mencionar os volumes escritos por Mary Gabriel, Jonathan Sperber, Gareth Stedman Jones.

Em 2018, o ano em que comemoramos o 200° aniversário do velho Mouro, são esperados vários lançamentos. Na Inglaterra, acaba de ser publicada a tradução inglesa da biografia escrita pelo sueco Sven-Eric Liedman, A World to Win: the Life and Works of Karl Marx. Uma resenha do livro, assinada por Adam Tooze, foi publicada anteontem no Financial Times.

Aqui no Brasil, além da biografia em quadrinhos de Anne Simon e Corinne Maier, é esperado o lançamento de um novo volume escrito por José Paulo Netto, que é por assim dizer o decano do marxismo brasileiro, e a publicação de uma tradução de O velho Marx, um pequeno livro de Marcello Musto, professor italiano radicado no Canadá, que trata exclusivamente dos dois últimos anos de sua vida.

Mas o lançamento mais aguardado, aqui e no exterior, é certamente da nova biografia escrita por Michael Heinrich, Karl Marx e o nascimento da sociedade moderna. Prevista para ocupar três grossos volumes, o primeiro deles acaba de ser publicado na Alemanha e deverá estar disponível em português até o final de maio (e, em seguida, em inglês, espanhol e francês). Trata do período entre o nascimento de Marx, em 1818, e o ano em que defendeu sua tese de doutoramento, 1841.

Não há nada de trivial em propor uma nova biografia de um autor sobre quem já se escreveu tanto e diante de quem parece impossível ficar indiferente. Além de um conhecimento seguro da história europeia no século XIX e da história das ideias em áreas tão diferentes como a filosofia, a política e a economia, é preciso conhecer o imenso legado teórico de Marx, boa parte do qual ainda está preservado na forma de manuscritos inéditos. Heinrich, sem dúvida, é um dos autores contemporâneos mais bem preparados para esta tarefa. Neste vídeo, produzido pela Editora Boitempo, ele explica as razões que o motivaram a escrever esta nova biografia, aponta as lacunas e falhas mais comuns nas tentativas dos biógrafos anteriores e enfatiza o fio condutor de sua pesquisa, proporcionado pela compreensão da estreita conexão entre a vida e a obra de Marx.



sábado, 5 de maio de 2018

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Sem comentários (18)

Just received the message below. What else can I say except... "Thank you Karl! That means a lot coming from you."




terça-feira, 20 de março de 2018

Despedida

Hoje encerro um período de minha vida profissional que teve início há 4 anos, quando aceitei o convite que os professores Jaime Ramírez e Sandra Goulart Almeida me fizeram para participar de sua equipe à frente da Reitoria da UFMG. Não foram anos fáceis, tenham certeza disso, mas foram anos felizes, de muito trabalho e constante aprendizado, de uma convivência rica em que, apesar das tensões, disputas e desafios, não faltaram motivos pra sorrir e pra comemorar.

Sou muito grato a todos que me acompanharam nesta trajetória, compartilhando os problemas e a busca das soluções. Ao Mauricio Campomori e a Macilene Lima, meu muito obrigado por tudo que me ensinaram e pelo apoio que nunca deixaram de oferecer. Na pessoa dos dois, registro também meu carinho e agradecimento à toda equipe da Proplan, onde há sempre muito trabalho a fazer, mas nem por isso o ambiente se deixa contaminar pela pressão, e as pessoas sabem ser solidárias e amigas.

Ao Jaime e a Sandra, meu muito obrigado pela oportunidade que me deram de servir a Universidade. Minha admiração e agradecimento por tudo que fizeram para, em tempos de rupturas e dissensos, preservar a coesão da comunidade em torno da Instituição. Pelo que fizeram para, em tempos de crise e riscos, exercer a autonomia e a independência da Universidade sem se dobrar a pressões e sem se deixar seduzir por soluções fáceis. E, juntando uma coisa a outra, por terem sabido conduzir a UFMG nestes quatro anos preservando a dignidade e a altivez desta Instituição. Poder trabalhar ao lado de vocês foi mais que um aprendizado, foi mesmo uma honra.


quarta-feira, 14 de março de 2018

O túmulo de Marx

Karl Marx faleceu há 135 anos, na tarde de um dia 14 de março, como hoje. A foto abaixo, feita por Ricardo Bellofiore, mostra a lápide original de sua sepultura. Simples e digna, como ele gostaria. Muito mais digna do que aquela estátua horrenda que, mais tarde, seria colocada em seu lugar, em Highgate Cemetery. Registro aqui o comentário de Michael Heinrich:
 
"Whoever visits the grave of Karl Marx at Highgate Cemetery in London encounters a gigantic pedestal upon which a gigantic bust of Marx is enthroned. One has to look up at him. Directly under the bust, “Workers of all lands unite” is written in golden letters, and further down, also in gold, “Karl Marx.” Below that, a simple, small headstone is placed within the pedestal, which names without pomp and gold those buried here: besides Karl Marx, there is his wife Jenny, his grandson Harry Longuet, and his daughters Eleanor and Helene Demuth, who led the Marx household for decades.

Marx selected the plain headstone himself after the death of his wife. Showing off was not his thing. He explicitly asked for a quiet funeral restricted to a small circle. Only eleven people took part. Friedrich Engels was able to prevent plans by the German Social Democratic Party to erect a monument to Marx at the cemetery. He wrote to August Bebel that the family was against such a monument, since the simple headstone “would be desecrated in their eyes if replaced by a monument”. (MECW 47, p. 17).

Around 70 years later, nobody was left to protect Marx’s grave. The present monument was commissioned by the Communist Party of Great Britain and unveiled in 1956. Only cemetery regulations prevented it from being even bigger. The Marxists had asserted themselves against Marx." (Michael Heinrich, "Je ne suis pas marxiste").